Um estudo sobre os poderes redutores do estresse em ambientes selvagens

Por Alex Hutchinson*

Uma das coisas que mais gosto em meu bairro em Toronto é que estou a um quarteirão do rio Humber, que deságua no Lago Ontário. Em 1954, depois que o furacão Hazel inundou casas no vale, a prefeitura da cidade transformou o local em um parque linear que serpenteia pela cidade, com dezenas de quilômetros de ciclovias e caminhos de cascalho ao longo do rio.

Este é o mesmo bairro onde eu cresci. Então eu vi o parque mudar ao longo dos anos, de vastas faixas de gramado para uma mistura mais natural de floresta e savana desgrenhada. Hoje em dia, correndo nas trilhas, é muito mais fácil imaginar que você está no meio do nada. E se decidir remar pelo rio, você pode efetivamente deixar a cidade para trás (contanto que você não reme muito perto da estação de esgoto perto da foz do rio).

Nos últimos anos, comecei a prestar atenção a uma série de pesquisas sobre benefícios físicos e mentais de ambientes naturais. Houve numerosos estudos na última década, mas alguns seguem um padrão básico similar de pesquisa:

Pergunte a alguém como eles se sentem. Teste alguns parâmetros fisiológicos. Envie-os para passear por uma floresta por uma hora e ver se sua saúde física e mental melhora comparada a uma caminhada similar na cidade. A resposta geral é sim. Então, a próxima pergunta é: por quê?

Um novo estudo na revista Behavioral Sciences, de pesquisadores das universidades estaduais de Indiana e Illinois, nos Estados Unidos, junta-se à tentativa de desvendar quais fatores são mais cruciais para os benefícios restaurativos da natureza. O estudo compara três diferentes “níveis da natureza” – um ambiente selvagem, um parque urbano e uma academia de exercícios indoor – para ver como eles afetam os níveis de estresse, medidos por um teste psicológico, mais um teste de saliva para o hormônio do estresse cortisol e uma enzima chamada alfa-amilase.

A teoria é que a natureza mais selvagem terá efeitos mais poderosos, e os pesquisadores oferecem algumas possíveis razões para essa hipótese. Uma é a teoria psico-evolutiva, que “diz que ambientes naturais são eficazes na redução dos níveis de estresse porque oferecem atributos específicos que nossa espécie via como inerentes a qualidades de sobrevivência, como água e abertura espacial.”

Outra é a teoria da restauração da atenção, que argumenta que as formas e padrões irregulares na natureza exercem uma “estimulação suavemente fascinante” que atrai sua atenção suavemente, permitindo que sua mente vagueie e se recupere do esforço quase constante de direcionar sua atenção na vida urbana.

Um total de 105 pessoas participaram, a maioria das quais planejava caminhar ou correr nos parques ou na esteira. O cenário selvagem era uma floresta de 44 hectares chamada Griffy Lake Nature Preserve; o parque urbano de 13 hectares tinha um playground, trilhas para caminhada e campos de grama; e a academia foi uma de musculação padrão.

Os resultados foram sugestivos, mas não esmagadores. Os visitantes de todos os três locais relataram reduções em suas preocupações e demandas percebidas. Além disso, os visitantes do parque e da área selvagem tinham aumentado os níveis de alegria; e os visitantes da área selvagem foram os únicos a ter uma diminuição significativa nos níveis de cortisol.

Ainda assim, mesmo as respostas ainda não tão claras, acho que essas são as perguntas certas a serem feitas. Alguns anos atrás, escrevi sobre um estudo realmente bacana que ligou um banco de dados de todas as 530.000 árvores plantadas em terras públicas em Toronto com dados detalhados de saúde em nível de vizinhança. Depois de controlar fatores como renda, educação e idade, os pesquisadores estimaram que cada dez árvores adicionais em um quarteirão, correspondeu a um aumento de um por cento na saúde auto-relatada dos moradores da rua.

Há um bilhão de razões que eu prefiro correr ao longo do Humber, como ar mais limpo, superfícies mais macias e sem tráfego. Mas sempre senti que havia algo mais também. Eu realmente não preciso saber exatamente o que é essa coisa para apreciá-la. Mas talvez ter uma melhor compreensão de como reagimos à natureza nos encorajará a levá-la mais a sério, a garantir que preservemos espaços selvagens mesmo dentro das cidades e visitá-los regularmente.

*Texto publicado originalmente na Outside USA