Hortas urbanas transformam as cidades

Elas ocupam espaços pouco utilizados nas metrópoles, fomentando o convívio social e rendendo alimentos orgânicos. No Brasil, isso já é uma realidade

OÁSIS: A Horta das Corujas, no bairro de Vila Beatriz, em São Paulo (SP) (Foto: Meloponia)

Por Mario Mele

PRÉDIOS ALTOS, PONTES DE CONCRETO sobre rios (quase sempre poluídos), avenidas largas e tráfego intenso de automóveis. De repente, uma horta verdejante e variada, mantida pelos próprios moradores do bairro. Se o surgimento das grandes cidades foi marcado pela evasão do campo, com uma mudança radical no estilo vida, hoje está mais do que provado que espaços urbanos destinados ao cultivo de vegetais favorece o convívio social e a reformulação dos hábitos alimentares, além de ser uma ferramenta de educação ambiental.

Geralmente o cultivo de vegetais em espaços ociosos é uma ação voluntária de cidadãos comuns, uma ideia em plena fase de crescimento no Brasil. Em São Paulo, por exemplo, vários bairros possuem seus metros quadrados reservados à agricultura orgânica: Pompéia, Vila Madalena, Pinheiros, Itaquera, Parque do Carmo e até a Avenida Paulista possuem suas pequenas e dignas plantações de salsinha, pimenta, couve-flor, agrião, abobrinha, cebola, tomate, manjericão, alecrim, hortelã… A mesma ideia já foi semeada em Curitiba, Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre, Rio de Janeiro e em praticamente todas as outras capitais brasileiras.

A iniciativa foi tão bem aceita que, recentemente, o Instituto Pólis, uma ONG que direciona seus trabalhos à construção de cidades mais justas e sustentáveis, publicou o manual Hortas Urbanas, uma cartilha online e com download gratuito que ensina a criar e manter essas pequenas plantações. No primeiro capítulo, é abordado o planejamento: a escolha do melhor lugar, os meios para juntar a comunidade, os futuros agricultores. Em seguida, um passo a passo sobre cultivo, com explicações de preparação do solo e prevenção de pragas, além de exemplos de captação de água que evitam o desperdício. O manual também reserva uma parte para motivar esses cultivadores urbanos a irem para a cozinha. Há receitas saudáveis e criativas, como a gelatina de beterraba e o bolinho de rama de cenoura. Eles não se esqueceram de dar dicas de como aproveitar os alimentos, evitando eliminar suas partes mais nutritivas e, consequentemente, o desperdício.

Se mesmo assim você estiver achando complicado dar o primeiro passo, a melhor opção é participar de grupos no Facebook. Curta páginas como a Verde Comunitário Izabela Hendrix e a Hortelões Urbanos. São excelentes espaços para interagir, aprender e encontrar hortas urbanas. Em pouco tempo, descobre-se o valor de pequenas atitudes verdes.