Como namorar um não-ciclista

O seu GPS não pode ajudá-lo a navegar nos relacionamentos

Por Eben Weiss*

Recentemete viralizou na internet a história de uma mulher na Turquia que está pedindo o divórcio por causa da “obscura” obsessão do marido com sua bicicleta:

“Meu marido passa o tempo todo com sua bicicleta. Ele tem um tipo diferente de vínculo com ela”, disse Yağmur Z., que reside em Istambul, em sua queixa. Ela acrescentou que seu marido limpa e arruma sua bicicleta no meio da sala de estar diariamente.

Se você é um ciclista, sua resposta a isso provavelmente foi: “Por quê isso é bizarro?”. Já ouvi falar de pessoas que enxaguam suas motos no chuveiro e lavam seus componentes na máquina de lavar louça. Diante disso, o comportamento do marido Burak Z. quase não se registra no espectro super estranho.

No entanto, é importante lembrar que o mundo está cheio de não-ciclistas que, com toda a razão, acham esse nível de apego a um objeto inanimado perturbador. Além disso, enquanto somos ótimos em analisar nossas métricas de viagem, não somos tão bons em monitorar nosso comportamento social. Então, se nós fomos fomentar e manter relacionamentos com pessoas que não pedalam como nós, é importante que aprendamos a reconhecer quando esse comportamento começa a cruzar a linha. (Obsessão sobre nossas métricas de pedal, por exemplo).

Para esse fim, aqui estão algumas dicas que o ajudarão a encontrar o amor com os não-ciclistas e quem sabe assim, viver felizes para sempre.

Não tente convertê-los

Então você convenceu um não-ciclista a passar algum tempo com você? Parabéns! De alguma forma, você conseguiu encontrar alguém que não sofreu a paixão pela moagem em uma bicicleta por horas – ou, ainda mais raro, alguém que realmente considera a sua compulsão atraente.

Atenção: não confunda a mente aberta da pessoa com o desejo de se tornar ciclista e, em seguida, não tente impor seu estilo de vida sobre eles. Quer introduzir bicicletas em um relacionamento de uma maneira divertida? Mantenha-o casual. Sugira fazer um programa local, pegar uma bike por meio dos sistemas de compartilhamento de bicicletas e sair pela cidade, por exemplo. Acompanhe a pessoa enquanto pedala – não fique a três metros de distância. Não critique o ritmo e o trajeto do pedal. E, acima de tudo, não registre o passeio na Strava, ou em qualquer outro aplicativo de monitoramento!

Quer convencer rapidamente o seu novo amigo de que o ciclismo é o esporte do momento? Enfatize a necessidade de equipamentos, mostre que eles valem cada centavo. E nem pense em empurrar os pedais sem clipe. Como qualquer outro tipo de engrenagem de fetiche, se você estiver em um encontro com alguém interessado nesse tipo de coisa, é porque vocês dois se encontraram antes em um fórum dedicado a isso primeiro.

Não mantenha suas bicicletas na sua área de estar

Esta é talvez a estratégia mais básica para reduzir suas tendências excessivas de ciclista, e é o que poderia ter salvado o casamento de Yağmur e Burak. Se você está convivendo ou apenas hospedando alguém em sua própria casa, manter sua bicicleta onde você pode vê-la é como manter seu celular na mesa de um restaurante: mais cedo ou mais tarde, você vai ficar inquieto e vai querer mexer nele.

Se você mora em uma apartamento e não tem espaço para armazenar a bicicleta, considere usar uma série de cabos e polias para suspendê-la no teto (ou talvez uma cerca elétrica). Mantenha-a também em algum lugar no apartamento com luz ruim, assim você consegue disfarçar quando está tentado limpar a bike.

Se a ansiedade da separação é simplesmente demais para suportar, tire fotos com o seu celular da sua bike. Você pode disfarçar que está acessando as redes sociais, quando na verdade só está admirando a sua magrela.

Não viaje com sua bicicleta

Se tudo correr bem no relacionamento, eventualmente vocês vão querer fazer uma viagem juntos. Para qualquer ciclista, a perspectiva de alguns dias de distância da bicicleta é assustadora. Portanto, em algum momento durante o planejamento, você vai sugerir a ideia de levar sua bicicleta junto com você. Não faça isso.

Sabe aquele momento em que vocês dois chegaram cansados ​​ao destino, em que soltam as malas e se jogam na cama? Não arruíne esse momento já desembrulhado sua bicicleta e começando a se queixar de como a transportadora abriu suas rodas e que agora elas estão meio milímetro alteradas.

Pior ainda é planejar a viagem com uma agenda secreta de ciclismo. Se o seu parceiro (a) não-ciclista está procurando um refúgio apenas para relaxar, não o pressione a pedalar. Claro que pedalar juntos é uma delícia, mas se não é esse tipo de romance que o seu companheiro (a) está procurando no momento, você vai ter que respeitar e passar alguns dias apenas deitado na praia.

Pesquise e substitua

Pedalar te faz feliz, e as pessoas felizes têm bons relacionamentos. No entanto, as pessoas que se excluem dos outros não são divertidas, e se suspeitar que você está se afastando dos outros por causa da bike, faça um teste simples antes de anunciar suas intenções para o seu parceiro (a). Diga isso a si mesmo primeiro, mas substitua o palavra “peladar” ou “treino” por “encher a cara”.

Confira:

“Desculpe, não posso conhecer seus pais, pois no próximo fim de semana estarei enchendo a cara por dois dias”.

“Depois me conte o final do filme. Quero dormir logo para amanhã bem cedo encher a cara”.

[Empurrando a cortina de lado]. “Ainda está chovendo. Eu vou ficar enchendo a cara por algumas horas lá no porão”.

Veja que há uma linha tênue entre o seu momento com a bike e ser egoísta. E às vezes uma ressaca de ciclismo é tão debilitante como uma de bebida.

*Artigo publicado originalmente em inglês na Outside Magazine, março 2018