Corra para a vida

A última revelação bombástica: aquela corridinha matinal pode ser sua grande fonte da juventude

Estudos recentes estão derrubando o mito de que a longevidade é predeterminada pela genética. A última revelação bombástica: aquela corridinha matinal pode ser sua grande fonte da juventude

Por Justin Nyberg


Foto: Charriau Pierre

IMAGINE DOIS RATOS DE MEIA-IDADE, nascidos no mesmo dia. Um tem pelos grisalhos, músculos flácidos e articulações decrépitas. Ele não passa de um tiozinho caquético de meio quilo. O outro rato, entretanto, tem aparência jovem e saudável – parece um Anderson Silva na casa dos 50 anos. Por que o contraste tão grande? Enquanto o rato geriátrico teve uma vida sedentária preso em sua gaiola, o jovem colega literalmente correu dos efeitos do envelhecimento.

Essa é a inovadora conclusão a que chegou uma equipe da Universidade McMaster, no Canadá. Os cientistas, que estavam estudando o impacto do exercício em ratos idosos, descobriram que uma rotina de treinamentos de endurance ao longo da vida pode ajudar seu corpo a ter aparência e funcionamento mais jovens. “Exercícios três vezes por semana – e não precisa ser muito – causaram uma reversão completa ou até a interrupção dos sintomas do envelhecimento”, diz o co-autor do estudo Simon Melov, diretor de genoma do Instituto Buck de Pesquisa do Envelhecimento, na Califórnia. “Foi um resultado extremamente dramático e inovador.”

Os resultados somaram-se a um crescente grupo de provas que contrariam a antiga crença de que o ritmo e os efeitos do envelhecimento estão ligados à genética de um indivíduo. Em outro estudo recente, publicado no Journal of Internal Medicine, pesquisadores que examinaram 855 homens nascidos em 1913 constataram que os fatores hereditários não desempenham um papel significativo na determinação do tempo de vida de uma pessoa. “Se você perguntar à maioria dos médicos o que eles acreditam ser o fator mais importante para uma vida longa, eles responderão: ‘Ter pais idosos’”, diz o autor do estudo, Lars Wilhelmsen, da Universidade de Gotemburgo, na Suécia. “Mas não foi isso que descobrimos.” O que eles descobriram é que, mesmo que você tenha 35 anos, as escolhas que faz agora sobre seu estilo de vida podem determinar não só a rapidez com que envelhece, mas também quanto tempo viverá.

Pesquisas sobre envelhecimento são realizadas há tempos, mas os cientistas ainda não têm certeza do que faz nosso corpo se transformar em um invólucro flácido e lerdo. Uma teoria diz que o envelhecimento é causado pelo efeito cumulativo de erros genéticos aleatórios – distorções no código genético que ocorrem enquanto as células se reproduzem bilhões de vezes durante a vida de uma pessoa.

De todos os erros acumulados, acredita-se que as mutações nas mitocôndrias têm o efeito mais importante. Elas são pequenas peças que abastecem a função individual de uma célula, seja ela uma célula de contração muscular ou uma célula do fígado essencial na digestão de álcool. Nos idosos, diz a teoria, as mitocôndrias têm tamanha coleção de “erros” genéticos que sua produção de energia é deficitária, o que poderia ser a causa de os cabelos se tornarem grisalhos, de a pele cair e de os músculos, ossos e tecidos cerebrais encolherem.

É por isso que as descobertas de Simon Melov e do co-autor Mark Tarnopolsky são tão intrigantes. Em seu estudo, os ratos ativos tinham de fazer uma corrida moderada de 45 minutos apenas três vezes por semana a partir dos 18 anos – idade de um roedor equivalente a um humano de 50 anos. Quando eles foram autopsiados, suas células estavam cheias de mitocôndrias saudáveis. “Não foram somente os músculos”, diz Mark. “Todos os outros tecidos, desde o sangue até o cérebro e o coração, estavam melhores.”

Há sinais de que o exercício possa ter o mesmo efeito em seres humanos. Quando os cientistas na Universidade de Newcastle, na Inglaterra, realizaram biópsias de músculos de atletas veteranos e de veteranos de sofá, descobriram que os atletas tiveram poucas mutações nas mitocôndrias.

O próximo passo é determinar exatamente como o exercício desencadeia a produção de mitocôndrias saudáveis e, talvez, desenvolver uma pílula capaz de repetir o processo. Mas por que esperar pela indústria farmacêutica? “Nós nunca vamos chegar à elegância da natureza com um comprimido”, diz Mark Tarnopolsky. “Nós evoluímos para correr. Evoluímos para sermos ativos. Leve suas mitocôndrias para dar uma corridinha e você pode viver muito mais tempo.”

Sabedoria da idade

Não há como evitar totalmente o envelhecimento, pelo menos não por enquanto. Mas, além de treinamento de resistência, esses três hábitos podem aumentar a longevidade

>> Corte as calorias. As provas são fortes: em todos os estudos, das moscas aos primatas (mas não ainda feito em seres humanos), os animais que comeram menos – 30% a 50% de sua ingestão normal – viveram mais do que aqueles que comeram normalmente. Não se trata apenas de evitar o aumento de peso. Mesmo ratos obesos alimentados para permanecerem gordos, quando receberam dietas de baixa caloria, viveram mais do que os ratos obesos que comiam normalmente.

>> Aumente os antioxidantes. Antioxidantes “enxugam” os radicais livres que, acredita-se, causam danos celulares que aumentam o envelhecimento. Em um estudo recente com moscas de fruta (geralmente utilizadas como dublês do ser humano), um importante antioxidante das maçãs aumentou o período de vida das moscas em 10% e preservaram sua capacidade de funcionar bem em idade avançada.

>> Seja positivo. Uma recente resenha publicada no Applied Psychology analisando 160 estudos que examinam a saúde emocional e a longevidade encontrou uma prova “clara e convincente” de que as pessoas que têm uma sensação de bem-estar na sua vida – ou seja, que mantêm uma perspectiva otimista, têm um relacionamento harmonioso e minimizam o estresse – vivem mais do que os ansiosos, pessimistas, depressivos, estressados ou incapazes de apreciar a existência cotidiana.

(Reportagem originalmente publicada na Go Outside de junho de 2011)