Confira a nossa seleção, para você curtir a natureza bem de perto

Por Mario Mele

Uma das coisas que os leitores da Go Outside mais pedem são sugestões de bons lugares no Brasil para acampar. Então aí vai a nossa seleção, para você curtir a natureza bem de perto.

Praia de Algodões, Bahia

A península de Maraú é uma das grandes riquezas naturais do Brasil. Além de extensas praias paradisíacas de areia fofa, a região possui piscinas naturais “azulejadas” por recifes, sem contar as cachoeiras e as áreas de manguezais e de reserva de mata atlântica. A praia de Algodões é uma das primeiras da península a partir do continente, e é o lugar perfeito para quem busca tranquilidade. Exceto em feriados prolongados, como réveillon e Carnaval, sua barraca corre o risco de ser a única do camping do Xicão, que conta com luz elétrica. O lugar segue o estilão pé na areia, e possui uma excelente área gramada para acampamento, além de boa infraestrutura de banheiros e chuveiros quentes. Serve ainda um PF de peixe com salada, arroz, feijão e farofa por menos R$ 20. Em Algodões, as ondas são fracas, mas a 25 quilômetros está Barra Grande, o maior vilarejo de Maraú, com praias boas para o surf, como Três Coqueiros e Bombaça. A menos de 20 quilômetros estão as piscinas naturais de Taipus de Fora, um aquário natural convidativo para mergulho. De bicicleta, chega-se facilmente a Barra Grande e a Taipus por uma estrada plana e de terra. 

Serra do Cipó, Minas Gerais

A apenas 90 quilômetros de Belo Horizonte, a serra do Cipó é um dos lugares mais alucinantes do Brasil para se acampar: a estrutura geológica pré-cambriana, a diversidade vegetal e a típica hospitalidade mineira tornam esse lugar muito especial. A não ser que você esteja percorrendo alguma trilha, é proibido acampar dentro do Parque Nacional do Cipó. Mas os amantes da natureza em estado bruto têm boas opções para pernoitar nas redondezas. Uma indicação é o camping Véu da Noiva (com banheiros, luz elétrica e chuveiros quentes), no distrito de Cardeal Mota, principal ponto de apoio para os visitantes da serra. Da entrada da sua barraca até a cachoeira Véu da Noiva serão 40 minutos de caminhada por um trajeto conhecido como a trilha dos Escravos. Uma queda de 70 metros de altura deságua numa piscina natural translúcida que não te deixará ir embora durante o verão. Para quem for passar mais do que um fim de semana, há a opção de seguir a pé por trilhas que levam a outras duas cachoeiras: a Grande (cinco quilômetros de caminhada) e a serra Morena (a aproximadamente 15 quilômetros). O camping Véu da Noiva tem chuveiro com água quente. R$ 30 (diária por pessoa, exceto feriados).

Praia do Sono de Paraty, Rio de Janeiro

Há algum tempo a vila de Trindade, em Paraty, tornou-se um destino batido. Nas proximidades, no entanto, há ainda praias quase isoladas, povoadas somente por vilas de pescadores. Uma delas é a do Sono, que possui uma extensa faixa de areia branca, águas claras e infraestrutura para receber turistas que querem acampar. O acesso é feito por uma trilha de cerca de uma hora saindo da praia de Laranjeiras, ou por barco, a partir de Trindade. De costas para o mar, a vista que se tem da praia do Sono é de uma mata atlântica intocada, que pertence à Reserva Ecológica da Juatinga. Ondulações de sul fazem o mar subir, e geralmente o canto direito fica perfeito para o surf. O mesmo acontece nas praias vizinhas de Antigos e Antiguinhos, acessíveis por uma trilha que começa na praia do Sono. Campings são o principal meio de hospedagem por lá e estão por toda a orla, como o Marimbá, o Canto Bravo e o da Dona Aurora. Todos oferecem boa área para montar a barraca e banheiros (sem luz elétrica ou água quente). Nenhum deles tem luz elétrica. Diárias entre R$ 20 e R$ 40. paraty.com.br

Chapada dos Veadeiros, Goiás

Vale da Lua

A Chapada dos Veadeiros emana certo misticismo: ali passa o paralelo 14, a mesma linha imaginária que corta Machu Picchu, a cidade perdida dos incas. Superstições à parte, o fato é que quem tem a chance de ficar alguns dias neste que é o ponto mais alto do cerrado volta renovado à civilização. O camping Pacha Mama – nome dado à divindade máxima dos Andes – oferece a infra necessária: além do gramado de 1.000 metros quadrados reservado às barracas, conta com banheiros bem equipados, chuveiro quente e cozinha coletiva com geladeira, fogão e utensílios. Mas a privilegiada vista para o morro da Baleia é o que ficará na memória. Não há como escapar dessa interação com a natureza – inclusive é proibido ouvir música alta ali. Se achar as trilhas ecológicas que levam aos poços naturais muito tranquilas, não faltam opções mais duras de trekking: ir até o topo do morro da Baleia e testemunhar um por do sol digno de louvor é uma delas. R$ 50 a diária por pessoa (café da manhã incluso).

Ilha Grande, Rio de Janeiro

Próximo à Angra dos Reis, a ilha Grande tem terreno acidentado, vegetação densa e litoral bem recortado, com inúmeras praias. Levar a barraca para esse lugar é garantia de se dar bem. Fique no camping Palmas, na praia Grande das Palmas, que tem águas calmas e areia mais grossa. Apesar de não haver luz elétrica, o camping dispõe de gerador, e assim oferece banho quente. Palmas tem localização privilegiada: é possível seguir por uma trilha que leva à vila do Abraão – a “capital da ilha Grande”, que dispõe de mercado e acesso à internet – e à cachoeira da Feiticeira, uma queda de 15 metros considerada uma das mais belas de toda a ilha.

Estilo selvagem!

Pico dos Marins, São Paulo


O pico dos Marins é um impressionante mirante natural da serra da Mantiqueira, cravado bem na divisa entre os estados de Minas Gerais e São Paulo. Para chegar a seu topo, é necessário encarar uma escalaminhada de três horas (em ritmo forte) a cinco horas que leva a 2.420 metros de altitude. “É uma trilha de tirar o fôlego, literalmente”, diz o corredor de aventura Rafael Campos, da equipe Quasar Lontra, que costuma treinar por lá. Se para ele o passeio não se mostrou algo muito fácil, é melhor não subestimar a trilha e ir com as pernas preparadas. Mas, uma vez lá em cima, basta montar o acampamento para curtir o terraço privilegiado, com vista para o mar de morros do lado de Minas Gerais e todo o vale do Paraíba, do lado de São Paulo. Numa noite sem nuvens, estar ali significa ficar sob o céu mais estrelado de sua vida. Mas vá munido de roupas de frio e corta-vento, pois a sensação térmica pode facilmente chegar a 0ºC nos meses de inverno. Evite o Marins no alto verão, pois a probabilidade de você ser surpreendido por chuvas intensas, com raios e trovadas, é grande. Se você quiser ir com uma operadora, a Nattrip cobra R$ 690 na Expedição Pico dos Marins, que conta com carregadores, barracas de camping, alimentação completa de montanha, pernoite em Passa-quatro (MG), transportes e muito mais incluído. Se quiser ir de forma independente, é só montar sua barraca onde bem entender, e curtir o visual.

Serra de Paranapiacaba, São Paulo



O Parque do Zizo é uma reserva particular de 300 hectares de mata atlântica virgem em São Miguel Arcanjo (SP), na parte alta da Serra de Paranapiacaba. A cerca de 180 quilômetros da cidade de São Paulo, a região é conhecida como um importante corredor ecológico onde se encontram espécies endêmicas de plantas e animais e, por isso, é muito frequentada por biólogos. O camping ali é selvagem (sem nenhum tipo de estrutura sanitária ou de alimentação) e permitido somente para quem faz os roteiros de trekking da agência especializada em ecoturistmo Bioventura. Os trekkings contam com a presença de profissionais ligados à biologia para te ajudar a decifrar parte da fauna e da flora da região, moradia natural de onças-pintadas e jacutingas. Vá sem receios, porque uma noite longe da civilização tem tudo para ser inesquecível, mesmo sem o conforto de um chuveiro quente ou luz elétrica.

(Reportagem publicada originalmente na Go Outside de fevereiro de 2012 e atualizada em novembro de 2018)