Bendita água

O biólogo Wallace J. Nichols alerta: a água é o mais eficiente atalho para a felicidade


RELAX AQUÁTICO: O biólogo Wallace Nichols
(FOTO: Woods Wheatcroft)

Em 2011, o biólogo Wallace J. Nichols chamou a atenção do mundo (e foi capa da Outside norte-americana) ao convencer neurocientistas a ajudá-lo a revolucionar as ações de conservação dos oceanos. Especializado em biologia marinha, o californiano afirma que a água é o mais eficiente atalho para a felicidade – argumento peso-pesado que ele usa para convencer as pessoas sobre a necessidade de salvar os rios e mares do planeta.

Seu primeiro livro,Blue Mind (Mente Azul, em tradução livre), foi publicado no final de julho elogo estava na lista dos mais vendidos do New York Times. A seguir, trecho da entrevista que o jornalista Abe Streep fez com o autor para a Outside.

OUTSIDE: Você se refere ao oceano como um grande curandeiro para muitos males da sociedade. Como?

Wallace J. Nichols: A grande questão é a comparação entre “mente vermelha” e “mente azul”. Vivemos nossas vidas profissionais e familiares indoor, frequentemente no que eu chamo de modo de “mente vermelha”. Estamos superestimulados, encantados, conectados, estressados. Estamos atrasados. Estamos sem dinheiro. Temos prazos. E estamos rodeados de absurdos. Estresse não é algo novo, mas esse tipo de estresse crônico, sim. Todo médico sabe que o estresse está relacionado a enfermidades, então reduzir o estresse é essencial. Há muitas discussões sobre os diversos tipos de meditação, ou de técnicas de relaxamento. Eu apenas acrescentei que a água nos faz meditar. Você não precisa estudar ou praticar meditação, precisa apenas prestar atenção na água ao seu redor. Pode fazer isso na banheira, na piscina, em um riacho, em um lago, rio ou oceano.


Em seu livro, você combina relatos de pessoas pelo mundo evalores do mercado imobiliários para sugerircomo as pessoas podem melhorar suas vidas. Como foi juntar tudo isso?

Escrevi um livro sobre o cérebro, a coisa mais complexa do universo, e a água, que produz vida no universo. Combinando os dois, tenho um tema vasto. Então saí por aí em busca dos melhores pesquisadores e de alguns bons protagonistas – assegurando-me de que nem todos fossem surfistas, claro.

Algumdos casos que você estudou te surpreendeu em especial?

Um cara chamado Bobby Lane, que serviu o exército durante a Guerra do Golfo, teve três diferentes episódios de traumatismo cranioencefálico. Não falava mais com clareza, sofria de estresse pós-traumático, estava tomando muitos medicamentos e tornando-se dependente deles. Tinha perdido a vontade de viver. Um dia ele foi à Operação Surf, um programa experimental para pessoas que sofrem dessa maneira,na Califórnia. Lá teve uma boa experiência: em três tentativas, já ficava de pé na prancha. Então viu o futuro que tinha pela frente. Depois disso decidiu que queria continuar a viver.

Blue Mind: The Surprising Science that Shows How Being Near, In, On, or Under Water Can Make You Happier, Healthier, More Connected, and Better at What You Do, de Wallace J. Nichols.US$ 27; 352 páginas; littlebrown.com

(Reportagem publicada originalmente na Go Outside de setembro de 2014)

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