Gisele Gasparotto dá dicas essenciais para quem está começando no ciclismo de performance

Por Gisele Gasparotto

Este texto é direcionado àqueles ciclistas que estão em fase de transição, saindo do ciclismo de passeio ou turístico e entrando no ciclismo de performance. As dúvidas são muitas. O ciclista que está na transição não entende a razão de muitas das “frescuras” dos ciclistas de performance, e estes, por sua vez, percebem de longe se o ciclista é iniciante ou não.

Quando a Route Bike, um clube de ciclismo de São Paulo que oferece pedais todos os finais de semana, implantou o Treino de Iniciantes, pude ter um contato maior com esse público que ainda não é de performance, mas estão ralando para ser. Orientei e ainda oriento muitos em relação à vestimenta, capacete, bicicleta, entre outros temas que geram muitas dúvidas entre eles. Partindo daí, resolvi escrever este texto com informações e dicas sobre como se iniciar no ciclismo de performance e facilitar a sua “aceitação”.

Depilar ou não depilar?

Esse assunto é muito polêmico, especialmente para os homens. Muitos não entendem a razão e acham que depilar é coisa de “metrossexual”. Particularmente eu não gosto de pelos. Uma das razões da depilação é facilitar a limpeza dos ralados caso haja uma queda. Outro motivo é ajudar na hora de fazer massagem. Pernas com muitos pelos não espalham bem o óleo ou creme de massagem, e isso dificulta a vida do fisioterapeuta ou massagista. Com relação à performance, não existe nenhum tipo de comprovação de que depilar as pernas ajuda no desempenho. Depilar as pernas pode ser ainda uma forma de ser aceito no pelotão, pois um dos termos usados pelos ciclistas mais experientes para chamar o ciclista que não tem experiência ou habilidade com a bike é “PELUDO”.

Roupas íntimas x bretelle ou bermuda de ciclismo

Meninos e meninas… Eu já fui criticada por alertar minhas colegas ciclistas de que NÃO se deve usar roupa íntima por baixo do bretelle ou bermuda de ciclismo. Primeiro porque esteticamente é horrível, vamos combinar. Mas o principal motivo é o conforto. Não dá para pedalar horas e horas com o elástico de uma roupa íntima em atrito direto com a pele. Vai machucar!

Uso correto do capacete

Pessoal, o capacete foi criado para proteger toda a cabeça, inclusive a testa. Não esqueçam que a testa faz parte da cabeça e não pode ser esquecida. Portanto ajustem o capacete de modo que ele fique reto na cabeça! Nem acima da testa, nem muito para baixo. Além disso, é legal experimentar o capacete antes de comprar, para saber se ele está do tamanho correto da sua cabeça. E muito importante: não apertem demasiadamente o ajuste atrás do capacete, pois enquanto se pedala é natural sua cabeça dar uma inchada e, se estiver muito apertado, vai marcar a sua testa e dificultar a circulação de sangue no local.

Uso de mochilas, “camelback”, pochetes e similares

Gente… Estamos falando de ciclismo de performance, certo? Isso quer dizer que você vai pedalar por três, quatro horas, numa velocidade moderada. Para isso servem as camisas de ciclismo com bolsos. Para você colocar câmaras, alimentos, documentos, suplementos, sem carregar peso demasiado nas costas e sobrecarregar sua coluna. Quanto mais livre e leve você estiver, melhor será seu desempenho, e sua cervical agradece. Se for caso, use aquelas bolsinhas pequenas que podem ser presas no canote da bicicleta para colocar ferramentas, câmaras, entre outros itens básicos.

Tamanho da camisa de ciclismo

A camisa de ciclismo deve ficar justa ao corpo, por duas razões principais. A primeira é diminuir o atrito do vento. Uma camisa muito larga forma uma espécie de “paraquedas” que acaba prejudicando a performance em alta velocidade. Outra razão é que, quando você encher os bolsos com alimentos, documentos etc., a camisa larga irá pesar a ponto de parar no meio dos glúteos. Além de ser estaticamente feio, vai te atrapalhar na hora de pegar qualquer coisa do bolso — sem contar que você pode perder muitas coisas no caminho.

Existe um glamour no ciclismo de performance, sim, mas também existem motivos bem plausíveis para as nossas “frescuras”.

*Gisele Gasparotto é ciclista profissional, fundadora da Lulu Five Ciclismo Feminino e ciclista da LuluFive Cannondale Team