Teste de velocidade feito em casa

Um mecânico inglês põe sua própria criação à força, avaliando sua bike em uma pista extra-oficial e com um carro de apoio improvisado

Dono da Donhue Bikes, conceituada oficina de construção de quadros de bike sob medida em Londres, no Reino Unido, Tom Donhue se propôs um desafio: ver qual a velocidade máxima que ele conseguiria atingir pedalando em uma de suas bikes. “Adoro o espírito pioneiro dos primeiros ciclistas que tentaram bater recordes de velocidade no deserto: usar o que se tem e tentar de qualquer maneira”, diz.

DETERMINADO: Tom Donhue em sua oficina, na zona leste de Londres (Foto: Reprodução Vimeo)

Tom teve a ideia enquanto trabalhava em sua oficina. “Meu trabalho é construir quadros, e quando você manuseia tanto os materiais, é impossível não pensar no potencial deles”. Mas ele sabia que havia alguns fatores limitadores em seu projeto: “Não temos um deserto nem um carro super rápido para impulsionar a bike. Minha ideia não é quebrar recordes. Queria construir uma bike com os mesmos materiais que uso para meus clientes, mas com algumas adaptações para aguentar o pedal a altas velocidades”, explica.

Tom buscou ajuda especializada na hora de construir componentes especiais para sua bike. “Falei com meu amigo Cliff, na Royce, para desenhar algumas peças com eles. Foi muito inspirador, já que eles trabalham com isso desde os anos 80”.

SOB MEDIDA: Detalhe da coroa de 104 dentes construída especialmente pela Royce para a ocasião (Foto: Reprodução Vimeo)

Tom também desenhou um aerofólio especial para o Zephyr, carro que auxiliaria sua tentativa de velocidade. “Não sou nenhum especialista, mas acho que conseguimos melhorar a aerodinâmica do conjunto”. Para o teste, a equipe encontrou um pedaço de estrada “bom o suficiente” com cerca de três quilômetros de extensão.

PISTA IMPROVISADA: A faixa de asfalto que Tom Donhue usou em seu teste de velocidade (Foto: Reprodução Vimeo)

No primeiro teste, Tom alcançou os 96 km/h, mas não ficou impressionada com o resultado. “Dá para alcançar esta velocidade pedalando na descida com uma boa bike de estrada”, disse. “Mas considerando que eu estava em uma estrada não muito boa e atrás do carro, até que foi bom”, opina. “Antes da tentativa oficial, você fica nervoso, pensa em todo o potencial de perigo da situação, se sente solitário e vulnerável. Mas a partir do momento em que você encosta na bike, você não se importa mais. Você apenas pedala”.

ENGENHOCA: Tom pedalando atrás de se carro de apoio, com aerofolio modificado (Foto: Reprodução Vimeo)

“Tivemos alguns problemas de comunicação entre eu e o carro, foi um pouco frustrante, mas no fim tudo se encaixou. Comecei a pedalar com toda a velocidade. E quando percebi, já tínhamos chegado ao fim da estrada”, conta Tom. “Tínhamos que ir o mais rápido que conseguíssemos, e senti que atingimos esse objetivo, fiquei super feliz. Nos arriscamos, e conseguimos. É engenharia, mas engenharia de quintal. A bike foi construída 50 anos depois do carro, mas conseguimos unir os dois por um só objetivo: eu queria saber do que a bike era capaz”. No rolo, Tom atingiu os 164 km/h. “Um amigo meu que está reformando um carro já me ligou oferecendo ajuda se eu precisar. Acredito que precisarei – ainda estou longe de terminar este projeto”, garante Tom.

Veja o vídeo do experimento de velocidade do inglês:

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