Prêmio Outsiders 2016

Mineirinho remou muito até chegar ao topo do mundo do surf, cada vez mais verde e amarelo

Adriano de Souza comemorando sua vitória histórica em Pipeline, no Havaí

ADRIANO “MINEIRO” DE SOUZA: Da infância humilde ao topo do mundo do surf, Mineiro remou muito para entrar em um grupo seleto de campeões, que a cada ano fica mais verde e amarelo

NATURAL DE:
Guarujá (SP)

IDADE:
29 anos

ESPECIALIDADE:
Surf

PRINCIPAIS FEITOS:
Campeão mundial de surf 2015 e atual vencedor das etapas de Pipe Masters (Havaí) e Margaret River (Austrália) do circuito profissional.

PATROCÍNIOS:
Hawaiian Dreams (HD), Red Bull, Oi, Mitsubishi, Oakley, G-Shock, Estácio, Nossolar, CI Surfboards, FCS, Welcome Surf Trips e All It Host.

(+) @adrianodesouza (Instagram) / @MineirinhoSurf (Twitter)

ANTES DE A “TEMPESTADE BRASILEIRA” tomar conta do mundo do surf, torcendo o nariz de muito gringo, Adriano de Souza já dava suas braçadas e rasgadas no lado mais competitivo do outside. Herdeiro solitário de uma época em que brasileiros eram forasteiros do circo do surf, Mineiro honrou o apelido e foi conquistando seu espaço pelas beiradas. Aos 28 anos, viu a tempestade virar calmaria no segundo em que ergueu o troféu de campeão mundial de 2015, logo após vencer a última etapa do circuito, em Pipeline, no Havaí.

“Sinto que tirei um enorme peso nas costas. Um elefante”, confessa Mineiro, que percorreu um longo caminho da comunidade de Santo Antônio, no Guarujá (SP), para o mar havaiano. Esforçado, trabalhador e dedicado foram os adjetivos que mais repercutiram logo após sua histórica vitória. Depois de dez anos de circuito, a expressão “força de vontade” lhe cai mesmo muito bem. Seu feito não apenas o coroa no topo, com merecimento, como inspira toda uma geração.

Adriano também abriu o caminho ao ser o primeiro brasileiro a conquistar o Pipe Masters em 2015, mais cobiçada etapa do mundial – sua melhor campanha no pico tinha sido um 9º lugar. Sabendo do tamanho da encrenca que precisava superar, era sempre o primeiro a entrar na água no último mês de dezembro em Pipe, em dia de torneio ou não. De tanto insistir, conseguiu domar a fera (a temida e mítica onda tubular do North Shore havaiano) na base da marra. Não o fez sozinho. Pela conquista, agradece seu irmão, que lhe deu a primeira prancha, ainda criança, e se lembrou de Ricardo dos Santos – tube rider brasileiro e grande amigo, assassinado no começo de 2015 –, mostrando ao mundo as três palavras tatuadas no braço em sua homenagem: força, equilíbrio e amor.

Lá no fundo, Adriano sempre soube que essas palavras o levariam ao grande objetivo de sua trajetória, pelo menos a parte dela vivida dentro do mar. Fora dele, nunca se intimidou com a desconfiança. Muito menos com a quantidade de gente boa surfando no mundial. Mineiro enxergou sua linha, se preparou para o enorme desafio e o botou para baixo com frieza, inteligência e paixão – afinal, isso também não é talento?

Entender limitações e buscar evolução é o caminho comum dos grandes campeões. Mineiro fez de cada temporada um degrau para o auge em 2015, entre maus e ótimos momentos. Passada a euforia do título, ele prefere remar de novo contra a corrente, seguro de que ainda pode mais: “Já descobri o caminho. Entendi como fazer. Se consegui chegar ao topo uma vez, posso chegar novamente”.