Muitas vezes é mais importante reconhecer como você canaliza sua energia do que ficar “ligado” o tempo todo

Por Brad Stulberg, da Outside USA

Danielle Steel é uma romancista que escreveu 179 livros. Ela escreve sete livros por ano, raramente dorme mais de cinco horas por noite e trabalha todos os dias do ano, exceto em uma única semana que ela tira de férias. O trabalho da Steel já foi lido por centenas de milhares de pessoas.

O impulso e a produtividade da Steel são algo para ser celebrado e imitado?

Depende, pelo menos de acordo com o escritor Oliver Burkeman, que recentemente escreveu uma coluna no The Guardian questionando se esse tipo de ritmo de trabalho é ou não uma coisa boa:

“Antes do surgimento da economia gig, que tornava obrigatória a celebração do trabalho implacável como prova de que você é “produtivo”, chamamos isso de workaholism – uma compulsividade pelo trabalho, talvez devido à ansiedade, ou baixa auto-estima, ou o desejo de evitar se envolver com algum aspecto mais difícil da vida.”

Este comportamento é tão comum no esporte quanto no ambiente de trabalho tradicional. Muitos atletas, de todos os níveis, lutam com isso. Alguns até acreditam que a obsessão é o único caminho para o sucesso em seu esporte. Um ótimo exemplo é o filme Free Solo, que narra a tentativa de Alex Honnold de escalar o El Capitan de Yosemite sem cordas. Seu foco e esforço obstinado é uma coisa absolutamente incrível. Mas não deixa de ser complexo, especialmente quando se trata de como sua namorada e amigos se sentem sobre o desafio.

Tenho experiência pessoal e profissional em ser alguém compulsivo por ser produtivo. Quando eu quis explorar ainda mais por que eu sou assim e o que isso significa, a maneira que eu fiz foi literalmente escrever um livro. O processo de escrever The Passion Paradox me fez perceber que isso não é bom nem ruim. Apenas isso. Aqui estão algumas das coisas que aprendi que levam a essa realização.

Pode ser um vício

Algumas pessoas podem ser resistentes à dopamina, o neuroquímico associado ao prazer. Isso significa que eles precisam de mais para se sentir bem, então continuam se esforçando. Enquanto isso, todos podem ficar viciados no ciclo de fazer e conquistar, especialmente se esse comportamento for muito recompensado na infância. Em um extremo, se um cérebro em desenvolvimento percebe que o amor é condicional com base em quão bem ele faz as coisas, então esse cérebro em desenvolvimento vai se esforçar para se sair bem o tempo todo. Isso só é intensificado por uma cultura obcecada por validações e conquistas externas.

Ser produtivo pode ser maravilhoso

Ser produtivo pode também estar associado com à satisfação com a vida e à paz interior. Também tem relação com a paixão pelas coisas. É um estado de completa presença e cuidado por alguém ou algo. Deste modo, não é uma coisa tão ruim.

Produtividade pode ser sobre medo

Particularmente o medo da morte. Nós infinitamente “fazemos” coisas para escapar da realidade de que somos mortais. Encarar essa realidade pode ser horripilante, especialmente se estivermos acostumados a resistir e a reprimir trabalhando. O tipo de ação incessante que nasce do medo nem sempre é tão grande. Você poderia argumentar que está mais perto do vício. Em vez de enfrentar a dor da morte e da perda, nos entorpecemos com o fazer, a obsessão e a produtividade.

Também pode ser sobre inseguranças

Nós pensamos que se podemos fazer mais uma coisa, vender mais um livro, conseguir mais uma promoção, então seremos verdadeiramente amados, aceitos, nos sentiremos bem com a nossa aparência, etc. Infelizmente, isso não funciona. Essa mentalidade muitas vezes cria mais sofrimento do que bons sentimentos.

A maioria das pessoas super produtivas são alimentadas por todos os itens acima 

Em diferentes momentos e contextos, esses impulsos podem contribuir de forma desproporcional. Quando a produtividade é o principal impulsionador, geralmente é aceitável manter a energia e o ímpeto, desde que você esteja ciente das desvantagens: o que você está sacrificando e desistindo em outras áreas de sua vida. Se o medo ou a insegurança estiverem alimentando a sua motivação, você tem duas opções, que não são exclusivas. Você pode trabalhar o problema por meio de terapia, meditação, e compartilhando suas aflições com pessoas confiáveis. Ou você pode canalizar sua energia de produtividade em atividades mais criativas ou voluntariado.

As pessoas adoram colocar as coisas em categorias: boas ou ruins, pretas ou brancas. Mas a verdade sobre ser super produtivo é algo muito cinzento. Não há uma resposta simples. Essas forças podem ser presentes e maldições, às vezes no mesmo dia. Talvez a melhor aposta seja apenas prestar a devida atenção. Quanto mais você souber de onde a sua energia produtiva está vindo, onde você está querendo chegar, e do que você está desistindo como resultado para buscá-la, melhor você estará.