Roteiro para você curtir durante o final de semana o melhor do Parque Estadual da Serra do Papagaio

Por Hugo de Castro

Na Serra da Mantiqueira, ao sul do Estado de Minas Gerais, o Parque Estadual da Serra do Papagaio transformou-se em um ponto de encontro de aventureiros que curtem trekking, mountain bike, escalada, cavalgada, bóia cross, canionismo e muitas outras atividades outdoor. Isso porque seu território de 22 917 hectares atravessa matas exuberantes, bosques de araucária, cachoeiras límpidas e picos de mais de 2000 metros de altitude, atraindo visitantes durante o ano inteiro. No inverno, as baixas temperaturas conferem um charme todo especial ao lugar e, no verão, as cachoeiras ficam mais cheias e se tornam um convite irrecusável para quem quer se refrescar nos dias quentes.

O parque completou no ano passado 20 anos. Além da Serra do Papagaio, a área engloba a Serra do Garrafão e abrange os municípios de Aiuruoca, Alagoa, Baependi, Itamonte e Pouso Alto. Para a alegria dos amantes da escalada, mais da metade desse território está acima dos 1800 metros de altitude, e seu ponto mais alto é o Pico da Bandeira, de 2 357 metros.

Por se interligar com a porção norte do Parque Nacional do Itatiaia, forma um importante corredor ecológico de preservação da Mata Atlântica, além de ser uma importante reserva de muitas espécies de mamíferos, aves e anfíbios. Dentre os animais que habitam o lugar, destacam-se o papagaio do peito roxo (que dá nome ao parque), raposas, cachorros-do-campo, porcos-do-mato, onças, jaguatiricas e lobos-guará. Na região, concentram-se as nascentes dos principais rios formadores da bacia do Rio Grande, principal responsável pelo abastecimento de água dos grandes centros urbanos do sul de Minas.

Por todas as características citadas acima, conhecer o Parque Estadual da Serra do Papagaio é um programa delicioso. Quem não tem como separar vários dias para conhecê-lo pode optar por um roteiro de final de semana. No sábado, uma caminhada até as águas limpinhas da cachoeira dos Garcias é um belo passeio. Com aproximadamente 25 metros de altura por sete metros de largura, sua queda d’água termina em uma piscina natural que chega a cinco metros de profundidade. À noite, nada melhor do que comer uma truta no jantar.

No domingo, a sugestão é a subida do Pico do Papagaio via Retiro dos Pedros, que é uma longa, mas sensacional caminhada de oito horas, incluindo ida e volta. Trata-se de um conjunto rochoso de oito picos localizados na Serra do Papagaio. A incrível vista compensa o esforço da subida. Aproveite o passeio enquanto a entrada para o parque ainda é gratuita.

Cachoeira dos Garcias

1º dia (sábado)

Siga pela BR 267 até o quilômetro 38. Entre no trevo em direção a Aiuruoca. A partir da entrada da cidade, percorra uns quatro quilômetros de asfalto. Nesse ponto, há uma entrada à direita para uma estrada de terra localizada após uma curva. Não tem erro: a entrada é bem larga, com várias placas indicando “Cachoeira dos Garcias, Retiros dos Pedros, Pico do Papagaio”. Suba uns nove quilômetros até a sede do parque, uma casinha branca que fica à direita de quem sobe, após uma porteira com um mata-burro. Ali um guarda pedirá alguns dados do veículo. Não se cobra nada para entrar no parque, que, aliás, ainda não possui nenhuma infra-estrutura. Nessa estrada de terra, você já pode avistar a estreita e comprida Serra do Papagaio.

Ainda de carro, siga mais 600 metros até um muro de madeira pintado de verde. Estacione, pois a partir daí começa a caminhada. Ande mais uns 15 minutos na estradinha de terra até aparecer uma porteira à esquerda, que normalmente fica fechada. Ande mais cinco metros até a entrada para a trilha da cachoeira dos Garcias. Não se preocupe: a trilha é fácil e bem marcada e, em menos de 30 minutos, você estará tomando um belo banho nas águas cristalinas da piscina natural da cachoeira.

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Se sobrar tempo, vale a pena conhecer o Vale do Matutu, com suas inúmeras trilhas e cachoeiras, como a do Fundo, das Fadas, do Estreito, Pinheiral e dos Índios. São três mil hectares de muito verde e visual bucólico. Reserve uns momentos para conhecer o centro da cidade de Aiuruoca, com sua bonita igreja matriz. Para o jantar, experimente a deliciosa truta do restaurante Kiko e Kika.

2º dia (domingo)

O acesso para a trilha do Pico do Papagaio via Retiro dos Pedros começa na mesma estrada de terra que passa pela sede do parque. Após a portaria, siga por mais alguns quilômetros até a estrada piorar muito e você não conseguir passar de carro. Estacione o veículo ali mesmo e continue a pé. Caso você tenha um 4X4, prossiga até um estacionamento que fica alguns metros à frente. Até agora estava-se andando do nordeste para o sudoeste, mas a partir desse ponto muda-se gradativamente a direção até para o sul e, aos poucos, para o sudeste.

Siga a pé na estradinha, sempre tendo a Serra do Papagaio à esquerda. Após 20 ou 30 minutos, você passará por uma placa indicando o sentido e a quilometragem para o Retiro dos Pedros (4km), Pico da Bandeira (5km) e o Pico do Papagaio (8km). Logo após a placa, cruza-se uma porteira; mais dez minutos de caminhada, há uma bifurcação para a esquerda, é o caminho de uma pousada e, para a direita, ruma-se para o Retiro dos Pedros. Esse é o seu caminho.

Ao fundo, o Pico do Papagaio

A subida vai sempre bordejando o final da serra até chegar ao retiro, que é a ponta leste. A ponta oeste da fina serra é o destino desse dia –o Pico do Papagaio. Até o Retiro dos Pedros, anda-se por uma estradinha de terra muito ruim e sinuosa. A caminhada dura pouco mais de uma hora. No retiro, você encontrará um imenso platô a mais de 2200m de altitude, da onde se tem uma visão panorâmica de toda a região.

Desse ponto até o Pico do Papagaio, localizado a 2293 metros, são mais ou menos umas duas horas de caminhada com muitos sobes e desces. Atenção com os trechos de entradas e saídas das mata _na ida, esses acessos são bem mais fáceis; na volta, dá para se confundir um pouco, ainda mais se estiver escurecendo.

Onde ficar: Na região existem alguns campings, mas a melhor sugestão para quem quer ficar em barraca é fazer um acampamento selvagem no próprio parque. Três locais para isso são recomendáveis: o primeiro fica próximo da parte de cima da cachoeira dos Garcias. É um lugar bem protegido e com água em abundância. Dormir ali escutando o barulho da cachoeira é maravilhoso. Acampar no Retiro dos Pedros é a segunda opção devido à vista panorâmica. Dormir no Pico do Papagaio também é interessante, mas há o inconveniente de o lugar não ser muito protegido, ter área limitada e água escassa.

Mochila: Caso você queira acampar, leve material de camping completo (barraca, saco de dormir, isolante térmico, fogareiro, lanterna e pilhas reservas), além de comida para o fim-de-semana. Não esqueça de levar um bom casaco e uma jaqueta corta-vento, pois nessa região costuma fazer frio à noite.

 

(Reportagem publicada originalmente na Go Outside de dezembro de 2006 e atualizada em junho de 2019)