Parça ponta firme

Dicas para você se tornar um parceiro de escalada digno das melhores trips

Tommy Caldwell e Kevin Jorgeson ao terminarem a ascensão da Dawn Wall, no Yosemite (EUA), em uma das parcerias mais notáveis da história da escalada (Foto: Bligh Gillies/Aurora Photos/Outside Online)

Além de trabalhar a própria evolução dentro do esporte, os praticantes de escalada desenvolvem, ao longo dos anos, um item imprescindível à vida na rocha: a relação com seus parceiros. Para escalar bem e tranquilo, focando nos movimentos e sem medo de problemas, é preciso ter um parceiro de confiança do outro lado da corda, que esteja atento ao atleta que está na via e que saiba entender e agir de acordo com os comandos e necessidades do escalador.

O site de escalada independente norte-americano Moja Gear fez uma lista do que é preciso para se tornar um parceiro de escalada nota 10. Segue o beta, dado por Paul Mendell:

1. Segurança em primeiro lugar. Quando escala, Paul nunca se cansa de repetir seu “mantra”, “Have fun, look good, be safe” (“divirta-se, mantenha uma boa aparência e esteja seguro”, em tradução livre). Ele também aponta para a importância de um rapel sem erros. “Sempre lembro meus parceiros que descer é a parte mais difícil da escalada”, diz. Ele faz uma checagem de segurança sempre que vai começar o rapel para descer de uma via, e mantém seu foco no momento para evitar qualquer erro comprometedor.

2. Atitude positiva. Para Paul, atitude é tudo na hora de escalar, e ele nos encoraja a estar sempre alegres pelo simples fato de estar na rocha. “É fácil esquecer que escalar é um privilégio ao qual nem todos têm acesso”, diz. Sua atitude influencia a atitude das pessoas ao redor, e é muito bacana escalar com amigos que ficam felizes pelas suas conquistas e pelas dos outros, independentemente de ser um projeto fácil ou muito difícil.

3. A paciência é uma virtude. Especialmente para quem está começando no esporte, é fundamental ter um parceiro paciente. Novatos precisam de um ambiente em que erros sejam encarados como parte do processo, e ser encorajados a experimentar e resolver problemas por conta própria. Sentir-se apressado ou sob pressão é só mais um caminho para mais erros, ou para não perceber pontos cruciais da via.

4. Sabedoria. “Sempre aprendendo, sempre ensinando”. A escalada é um esporte de forte tradição oral, e muito é aprendido ouvindo os mais experientes. Há muito conteúdo a ser adquirido, e sempre é possível aprender mais. Além do quê, um dos melhores jeitos de realmente absorver novos conhecimentos é ensinando-os a outras pessoas. A cada nova informação adquirida, ofereça-se para repassar o conteúdo a alguém, no ginásio ou na rocha, em troca de algo que eles possam te ensinar.

5. Confiável. A ideia de confiabilidade é bastante básica, porém tem grandes consequências. Não é preciso muito para verificar a confiabilidade de uma pessoa. Por exemplo, se não podemos confiar em alguém para acordar na hora e ir escalar (salvo por motivos legítimos), podemos confiar nele quando é sua vida que está em jogo? É através de gestos simples que medimos o quanto podemos confiar em uma pessoa, e uma pessoa de caráter duvidoso provavelmente não será um bom parceiro de escalada.

6. Competente e confiante. A competência traz a confiança. Saber que se está escalando com um parceiro sábio e atento nos traz confiança, o que, por sua vez, aumenta a confiança do parceiro. É um ciclo positivo, mas que exige trabalho e se desenvolve ao longo do tempo. É fundamental acumular conhecimento e muita experiência no esporte para se sentir plenamente capaz de agir como um bom parceiro de escalada. Para se tornar um bom escalador, é crucial dedicar-se a aprender, treinar e ensaiar habilidades importantes para o esporte – e ter um parceiro competente e confiante faz parte deste processo.

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