Felipe Camargo conquista a mítica via ‘Gancho Perfecto’ (9a+!!), na Espanha

Escalador brasileiro se torna primeiro sul-americano a conquistar a dificílima via espanhola

O escalador Felipe Camargo na via “Gancho Perfecto”, na Espanha (Foto: @100limitefilmes)

O escalador brasileiro Felipe Camargo conseguiu no último final de semana um feito e tanto para a escalada brasileira, mostrando por que é um dos atletas mais completos de sua geração.

Após meses de exaustivos treinos e tentativas, ele se tornou o primeiro sul-americano a concluir a via “Gancho Perfecto”, de graduação 9a+, na Espanha. 

A via, de extrema dificuldade, foi conquistada pela primeira vez em 2008, pelo norte-americano Chris Sharma. Entre as cinco pessoas que conseguiram escalá-la também está o tcheco Adam Ondra, em 2011.

O paredão possui inclinação de 45 graus, com quase todas as agarras com buracos naturais que só deixam espaços para dois dedos.

O desafio encantou Felipe há tempos. Porém uma lesão no dedão por pouco não tira o escalador de seu sonho. Para driblar o imprevisto, Felipe realizou treinos específicos de bi-dedo, para compensar a falta de força no dedão.

Conversamos com Felipe para saber mais sobre essa conquista surreal:

Foram momentos de muita batalha mental e física até você conquistar a “Gancho Perfecto”. O que há, afinal, nessa via que te motivou tanto, tornando-se quase uma obsessão?
FELIPE CAMARGO A via é muito bonita. É uma parede de 45 graus de inclinação que, olhando de longe, parece completamente lisa! Além de ser imponente, oferece um estilo de escalada que me agrada bastante! Para fazê-la, é necessário ter muita força, e quase toda a via é composta só por agarras de dois dedos. Ela ainda apareceu no filme Progression, que é um clássico para a escalada. Lembro quando a vi no filme e sonhei em escalá-la.

Qual o momento mais difícil de todos esse processo até conseguir conquistar a via?
Lidar com a frustração de ter que esperar a chuva parar e a via secar! Depois de três semanas nessa viagem, eu me sentia muito perto de conseguir e, aí, começaram as chuvas. Tive que esperar um mês para tentar a via inteira de novo, o que foi bem difícil mentalmente. É realmente muito duro não perder o foco e ir escalar outros projetos.

Você tentou a “Gancho Perfecto” após abandonar “Pachamama”, em Oliana, também na Espanha… Vai voltar a tentar esse outro projeto?
Sim! Com a “Pachamama” eu tive o mesmo problema com as chuvas. Fiz uma viagem para a Espanha no início do ano (março e abril). Fiquei dois meses só focado em escalar essa via, porém mal consegui tentar por causa da chuva. Este ano foi disparado o que mais choveu na Espanha na última década. Pretendo voltar para ela na mesma época ano que vem. 

Você tem algum foco nas Olimpíadas? Você não tem participado da seleção, ou demonstrado que os Jogos são de certa forma uma prioridade…
Desde 2015, não participo de nenhuma competição, por isso não estou tão focado em Jogos Olímpicos. Por questão de estrutura de treino, para competir de igual para igual com os gringos, só morando na Europa, mas eu nunca quis deixar o Brasil. Por isso, prefiro fazer viagens de dois a três meses e regressar. Com tudo isso, decidi me dedicar mais à escalada em rocha, em que só preciso da minha motivação, seja na maior academia do mundo ou em uma paredinha de 3x3m. Para competir, precisaria das mesmas agarras, módulos e muros de competição.