Cesar Grosso de volta ao jogo

Aos 32 anos, escalador brasileiro que já foi campeão sul-americano mira a vaga olímpica na Tóquio 2020

HÁ QUATRO ANOS morando na cidade de Arco, no norte na Itália, o escalador brasileiro Cesar Grosso admite que ultimamente estava se dedicando pouco ao seu esporte. “Em função de outros projetos e trabalhos, nos últimos três anos eu escalei bem menos do que gostaria”, diz ele, que é graduado em nutrição e hoje orienta a alimentação de atletas.

Em 2017, no entanto, ele quer reverter esse quadro, e pretende voltar à antiga forma disputando campeonatos e se desafiando em novos projetos na rocha – boa escolha para ele que mora em um vale cheio de falésias, nos pés das imponentes Dolomitas.

Cesar, que em 2008 foi um dos destaques do Prêmio Outsiders, é um nome reconhecido na escalada. Em 2007, aos 23 anos, conseguiu boas colocações em eventos internacionais, como o Campeonato Mundial de Boulder e a Copa do Mundo de Escalada.

“Sou meu próprio laboratório”, nos disse na época sobre sua rotina de treinos e alimentação. “Testo em mim algumas experiências e vou aprimorando.”

Atualmente, prestes a fazer 33 anos e ainda autodidata, ele mira a Tóquio 2020, a próxima olimpíada, na qual a escalada será um esporte demonstrativo. O trabalho já começou: como preparação, vai competir etapas do campeonato italiano, que tem um nível altíssimo, e assim pegar ritmo para disputar a Copa do Mundo e o Mundial de Escalada, que em 2018 será na Áustria. “Quero estar na minha melhor condição para lutar pela vaga olímpica.”

Em Tóquio, estarão 20 escaladores do mundo inteiro. Os critérios de classificação serão divulgados nos próximos dias – depois de uma assembleia realizada entre o Comitê Olímpico Internacional (COI) e a International Federation of Sport Climbing (IFSC). “Provavelmente, serão seletivas continentais”, diz Cesar. “E, como campeão sul-americano e vice-campeão Pan-americano, sei que tenho chances de conquistar a vaga.

O trabalho de conseguir apoios e patrocínios é outra missão. “Quero fechar parcerias no Brasil, porque mesmo morando na Itália, minha comunicação é mais frequente com o público brasileiro. E, se eu conseguir uma vaga, é o meu país que vou representar”, diz, esperançoso.

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