Durante décadas, os visitantes do litoral norte de São Paulo precisavam se contentar em ver o Arquipélago de Alcatrazes de longe ou por fotos. Mas, desde dezembro de 2018, esse conjunto fascinante de ilhas a cerca de 40 km da costa de São Sebastião se abriu para mergulhos autônomos e visitas em barcos ao incrível refúgio de vida silvestre.

13 ilhas que compõem o Arquipélago de Alcatrazes – Foto: Thaís Valverde

Fechadas por quase 30 anos, período em que serviram de área de treinamento da Marinha do Brasil, as 13 ilhas que compõem o Arquipélago de Alcatrazes formam a segunda maior Unidade de Conservação marinha de proteção integral do país, atrás apenas de Abrolhos, na Bahia. Para se ter uma ideia de sua diversidade, nas águas da região está a maior quantidade de peixes do Sudeste brasileiro. São inúmeros peixes coloridos, tartarugas-marinhas, golfinhos, raias, baleias e até tubarões. Em terra, Alcatrazes abriga o maior ninhal de fragatas (Fregata magnificens) da América do Sul e contabiliza quase 1.300 espécies conhecidas de flora e fauna, muitas delas endêmicas – e pelo menos 93 sob algum grau de ameaça de extinção.

 

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A sensação de estar em Alcatrazes é de extremo respeito. Ao se aproximar do local, é difícil não conter o entusiasmo diante da dimensão do Pico da Boa Vista, uma enorme parede de granito de 316 metros de altura que emerge da água e que se tornou uma das características mais marcantes do arquipélago. No céu, as aves voam de forma quase coreografada, como se fizessem a recepção dos visitantes. Depois de uma volta de barco por algumas das ilhas, é hora de cair na água. Cada mergulho é também uma nova descoberta para os instrutores, que não escondem o entusiasmo de estarem ali. Afinal, depois de tantos anos e mistérios, a expectativa ainda é alta.

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Encontrar determinados animais grandes, como tartarugas, golfinhos e raias, é uma questão de sorte e de período do ano. Em Alcatrazes, é possível fazer mergulho com snorkel ou com cilindro em dez pontos diferentes, classificados de fácil a difícil, e em alguns locais a visibilidade pode chegar a 30 metros durante o verão.

Para proteger o ecossistema local, o desembarque nas ilhas é proibido, e o passeio só pode ser realizado por meio de operadoras cadastradas pelo ICMBio e com barcos autorizados. A Mako Dive Center, por exemplo, é uma das empresas com autorização e faz o passeio a Alcatrazes para grupos de até sete pessoas em uma lancha catamarã, em um trajeto de um pouco menos de uma hora (R$ 600 por pessoa). O barco parte da praia de Toque-Toque Pequeno. Embarcações particulares não são permitidas.

Muito além das praias

Não faltam praias famosas no município paulista de São Sebastião, entre elas Maresias, Camburi, Juquehy, Barra do Una, Barra do Sahy, Jureia, Boiçucanga, entre outras. Mas lá existem muitas outras atrações, em especial as cachoeiras e trilhas.

Na região, há mais de 34.000 hectares de mata atlântica preservada, o equivalente a 2.000 estádios de futebol. De dois anos para cá, o ecoturismo tem sido um foco do poder público, que está construindo e demarcando trilhas, sinalizando a rota 55, que passa por 22 mirantes com vista para as principais praias, e estruturando roteiros com agências especializadas.

Pôr do sol no mirante da Barra do Una e Juquehy – Foto: Thaís Valverde

Uma das atrações imperdíveis é apreciar o pôr do sol no mirante da Barra do Una e Juquehy, que fica na estrada que liga as duas praias. A maioria das trilhas que vão para cachoeiras fica na costa sul de São Sebastião. As cachoeiras próximas da praia de Boiçucanga são bastante conhecidas – uma delas é a da Serpente, de 35 metros. Outra que merece um mergulho é Camburi. Seguindo pela Estrada Rio das Pedras, há uma trilha que leva às cachoeiras do Sertão do Cacau. O trajeto é de cerca de 1 km em mata fechada, passando por três belas quedas d’água.

Outro paraíso que vale a pena ser visitado é a Praia Brava, entre Boiçucanga e Maresias. Mesmo podendo acessar de barco, o jeito mais bacana de conhecê-la pela trilha. O trajeto de aproximadamente três horas (ida e volta) passa por dois mirantes com belíssimas paisagens. A trilha é íngreme, exigindo certo esforço físico. Porém, ao chegar ao destino, a recompensa é uma praia deserta, de beleza selvagem, areias brancas e ondas fortes, boas para a prática de surf. A experiência é ainda mais enriquecedora com os guias da Eco Experience, cuja equipe é formada por biólogos que mostram plantas e aves locais.

Em Boraceia, é possível visitar as Terras Indígenas do Rio Silveira, reserva onde vivem comunidades tupi-guarani. O passeio, também guiado pela Eco Experience, permite um contato com as tradições desse povo, com dança, música, comida típica e artesanato. É uma experiência única caminhar ao longo do rio Silveira, em companhia das lideranças da aldeia, que contam histórias surpreendentes da mata, enquanto crianças indígenas correm, nadam e brincam.

Onde ficar

Nau Royal em frente à praia de Camburi, este hotel tem como proposta ser um espaço de celebração, com tudo de melhor que a região pode oferecer. São 13 suítes, com design moderno e sustentável, prezando a utilização do mínimo possível de recursos naturais. O Nau Royal também abriga um spa da L’Occitane en Provence e o restaurante YYE, com cardápio assinado pelos chefs Morena Leite, do Capim Santo, e Artur Dornelles.

*A repórter Thaís Valverde viajou a convite do Nau Royal