Paraíso Fluminense

Parque Estadual dos Três Picos é o paraíso da escalada

Criado em 2002, o Parque Estadual dos Três Picos é o maior parque estadual do Rio de Janeiro – um paraíso para escaladores de grandes vias. E é ali que fica um dos conjuntos montanhosos mais extraordinários do Brasil

(Hugo de Castro)

ESSA REGIÃO SE LOCALIZA A 150 QUILÔMETROS da cidade do Rio de Janeiro, e começou a ser frequentada pelos montanhistas na década de 1940. Mas, pelo potencial que tem, hoje é ainda pouco utilizado. O motivo de seu nome é visível de boa parte da região serrana do estado do Rio de Janeiro: um conjunto de três montanhas fundidas entre si, que se elevam a 2.316 metros – a mais alta, chamada de Pico Maior de Friburgo, é o ponto culminante de toda a Serra do Mar. Ao lado dos Três Picos há um gigantesco bloco de pedra de cume largo e arredondado, chamado de Capacete, que possui vias de escalada de 400 metros que são as mais clássicas e freqüentadas de todo parque.

Além das escaladas clássicas como as vias Face Leste do Pico Maior, com aproximadamente 700 metros de extensão, e a via CERJ, no Capacete, com cerca de 400 metros, o parque ainda possui caminhadas de encher os olhos. As mais conhecidas são a Caixa de Fósforos, Cabeça do Dragão e Pico Médio e Menor. Existem outras trilhas menos freqüentadas, mas nem por isso menos belas, como a que vai para as Torres de Bonsucesso, Mulher de Pedra, Morro dos Cabritos, entre outras.

Uma boa sugestão de roteiro para um fim-de-semana é fazer a caminhada para a Cabeça de Dragão no sábado – que leva em média 5 horas (ida e volta) – e, no domingo, subir para a base da Caixa de Fósforos, que é um monólito de pedra de 10 metros de altura que se equilibra de maneira espantosa sobre uma base relativamente pequena, e que visto de certos ângulos se mostra maior do que sua base e ainda fora de centro. A caminhada para a Caixa de Fósforos leva cerca de 4 horas (ida e volta).

1º dia: A partir da sub-sede do Parque em Salinas, que é um bairro de Friburgo, anda-se de carro mais 1,5 quilômetro até a porteira do sítio do Isael e da Sandra. Se seu carro não for um 4X4, é aconselhável estacionar ali, a uma altitude de 1.370 metros. Pegue as mochilas e alongue para subir meia hora em uma estradinha muito ruim de terra até a porteira do Refúgio República Três Picos. Você pode acampar no terreno do Refúgio (o pernoite na casa do refúgio está custando R$ 40, mas inclui café, jantar e banho quente. O camping custa R$ 10 a diária), onde dá para tomar um banho quente e/ou filar um jantar no final do dia, ou então continuar subindo até o acampamento no Vale dos Deuses. Ao chegar nesse ponto você já poderá vislumbrar os Três Picos à sua frente.

Se você decidiu acampar no Camping do Vale dos Deuses, é só continuar subindo mais ou menos 25 minutos pela mesma estradinha até outra porteira que normalmente fica fechada com uma placa bem grande que diz: “Vale dos Deuses – Propriedade Privada”. Não se assuste. É só acompanhar a cerca para baixo que logo avistará outra porteira menor, que fica aberta. Passando por ela, siga para noroeste pelos caminhos deixado pelas vacas e tenha sempre como referência o Capacete do seu lado esquerdo e a Cabeça de Dragão à sua frente, até chegar ao camping. A maioria das trilhas mais conhecidas do Parque cruza obrigatoriamente o Vale dos Deuses. Então, ficar nesse camping pode fazer você economizar algum tempo. Ele só tem uma estrutura básica (algumas pias para lavar os utensílios de cozinha e banheiros com água fria) e também é pago (R$ 10). O acampamento está a uma altitude de 1.720 metros.

A trilha para a Cabeça de Dragão se inicia um pouco antes do portão do camping. Neste ponto há uma placa de madeira indicando o início da caminhada. A trilha segue para o norte por dentro de uma mata. Após alguns minutos você cruzará um riacho, que é o último ponto de água da trilha – abasteça-se. A partir dali, você irá começar a subir em zigue-zague. Nesse ponto não tem muito erro, é só seguir as fitas azuis presas nas árvores. Em mais ou menos 40 minutos de subida você estará passando pelas primeiras lajes, que são um bom local para descansar, fazer um lanche e curtir o visual, que é surpreendente. À sua frente se descortina o Pico Maior, com o Capacete ao lado, e, mais à direita, a Caixa de Fósforos magicamente equilibrada no seu minúsculo pedestal. A altitude nesse ponto é de 1.900 metros.

A partir da primeira laje é só seguir para o norte e depois dar uma quebrada para noroeste, sempre seguindo a linha da crista. Desse ponto não tem mais como errar, pois você avistará o cume da Cabeça de Dragão à sua frente, e então é só seguir na direção dele. Quase chegando ao cume, a caminhada pela crista fica um pouco mais exposta, mas sem grandes dificuldades. O cume está a uma altitude de 2.075 metros e de lá você terá uma visão incrível: em primeiro plano todas as montanhas do Vale dos Deuses, mais a oeste as montanhas do Vale dos Frades e a norte a Ronca-Pedra, entre outras. Em minha opinião, um dos visuais mais bonitos de todo o parque.

2º dia: A trilha para a Caixa de Fósforos começa no camping do Vale dos Deuses, segue para oeste e cruza todo o vale. Ela é muito agradável e bonita, sempre tendo ao seu lado esquerdo o gigante Capacete e do lado direito a Cabeça de Dragão. Depois de uns 30 minutos de caminhada, você cruzará um pequeno riacho e continuará no sentido oeste. Cinco minutos depois de passar umas pedras ótimas para boulder, a trilha dá uma quebrada para sudoeste. Nessa parte da trilha já é possível avistar a Caixa de Fósforos ao longe. Até este ponto, a caminhada se dá apenas em campos abertos, mas, daqui em diante, a vegetação fica um pouco mais fechada. A trilha continua bem marcada, só que agora fica parecendo uma estradinha em um corredor de árvores. Mais alguns minutos e você passará por um mata-burro e depois por mais um riacho – que é o último ponto de água da trilha. Caminhe nessa estradinha até o início da subida para a Caixa, que é bem fácil de identificar. A entrada fica à esquerda, mas tem uma placa indicando a subida com uma fita vermelha amarrada.

A subida é bem íngreme e cansativa. A inclinação dessa parte da trilha deve variar entre 60 e 70 graus. Após uns dez minutos subindo, encontraremos uma bifurcação para a direita que vai direto para as vias de escalada logo abaixo da Caixa. Não entre nela, continue subindo. Mais uns dez minutos e a trilha fica tão íngreme que colocaram uma corrente para ajudar a subida. Dois minutinhos depois da corrente, está uma laje bem próxima da Caixa, mas é daqui que você vai ter o melhor visual dessa caminhada. O visual é de 270 graus, com o Capacete em primeiro plano e bem ao lado uma visão inusitada dos Três Picos – bem à esquerda, a Caixa de Fósforos se equilibrando em sua base e mais ao fundo a Cabeça de Dragão (essa laje está a uma altitude de 1.780 metros). Da laje até a base da Caixa de Fósforos é só continuar pelo mesmo caminho.

O que levar: Se for para ficar num abrigo, leve somente o essencial para fazer as caminhadas (além das roupas para dois dias você precisará de uma mochila de ataque, uma garrafinha para água, lanche para as caminhadas, lanterna e pilhas reservas, além de um bom casaco, pois nessa região costuma fazer muito frio). Caso você queira acampar, leve material de camping (barraca, saco de dormir e isolante térmico), além de comida para o fim-de-semana. Para mais informações, acesse o site www.clubedosaventureiros.com e poste sua dúvida no fórum.