Lendas do surf

Tom Curren, Fabio Gouveia e outros ídolos dos anos 70 estiveram no SuperSurf Masters. Mas todos queriam saber sobre o campeão Iain Buchanan


LENDAS VIVAS: Wayne “Rabbit”, Tom Curren e Fabio Gouveia foram alguns dos que ‘quebraram’ as valas cariocas (FOTOS: ASP/Cestari)

O Arpoador esteve em festa no último final de semana. O sorriso no rosto dos coroas era a alegria concreta. A celebração foi tamanha mesmo diante de ondas pequenas, durante o SuperSurf Masters Championship. Na água, porém, deu pra sacar que a veia competitiva dos principais nomes do surf mundial dos anos 70 ainda se mantém viva. Nos bastidores, descubro que Wayne “Rabbit” Bartholomew se encrespou feio com Terry Fitzgerald nos primeiros dias de evento. O brazuca Lula Menezes também saiu de sua bateria do round 2 injuriado com “Rabbit”. Nas entrelinhas, o sangue borbulhou no outside por um lugar no pódio e pela disputa dos 220 mil dólares de premiação.

Na praia, assim que terminou a disputa decisiva, todos se perguntavam: “Quem é este tal de Iain Buchanan?” O cara eliminou o bicampeão da categoria, Wayne “Rabbit” Bartholomew; despachou a fera Glen Winton na semifinal; e nas quartas bateu nada menos que Tomson, que vinha inspirado desde o início do evento. Bom, então vamos lá. O neozelandês Buchanan é recordista em títulos em seu país – faturou cinco canecos nacionais na década de 80. Ele é atualmente juiz das etapas do World Tour e estava escalado para atuar como Head Judge desta prova, mas a série quebrou a seu favor. “Alguns convidados desistiram. Eu era o próximo da lista e a ASP perguntou se eu não gostaria de competir.”


CAMPEÃO E VICE EM AÇÃO: "Ratzo" levou na categoria Grand Masters, enquanto Fabio Gouveia foi o segundo na Master

Discreto, “Ratzo”, como é conhecido, desembarcou no Brasil confiante em fazer frente às lendas do esporte. Dias antes, Buchanan deu a seguinte declaração aos sites neozelandeses. “Venho julgando os melhores surfistas do mundo há alguns anos, então sei exatamente o que os juízes querem ver”, mandou ele, que acabou dando uma de mineiro, comeu quieto e pela beirada. Na categoria Master, o magrelo Nathan Webster teve a mesma tática que o campeão da Grand Masters. Optou pelas direitas próximas à beira e, assim como Buchanan, foi derrubando seus adversários como se fosse um franco-atirador. Direto e incisivo, um a um, com manobras de frontside nas fracas valas de meio metro.

“Obrigado a todos os competidores, principalmente os legends, que servem como fonte de inspiração para mim”, revelou o australiano. Webster deu o braço a torcer ao elogiar o domínio e alto nível dos brazucas. O vice-campeão da Master, Fabio Gouveia, surfou apenas duas ondas na final. Gouveia investiu nas esquerdas, onde passou a maioria dos duelos com suas pancadas estilosas de backside. Na decisão, porém, as ondas sumiram dali. Peterson Rosa e Vitinho terminaram em terceiro. Renan Rocha, Fabio Silva e Guilherme Herdy saíram do Arpoador com a quinta colocação. No ano que vem a ASP vai realizar mais um evento para as lendas do esporte no Brasil. Tomara que, neste, as ondas apareçam.