O poder da mente

Use a cabeça para se tornar um atleta melhor

Especialista em esportes endurance, Matt Fitzgerald explica como qualquer pessoa pode estender os limites do próprio corpo usando a mente

Por Bradley Stulberg

Quando o assunto é a melhora do rendimento em esportes endurance, quase tudo já foi dito sobre os métodos tradicionais de treinamento físico. É por isso que uma quantidade cada vez maior de experts acredita que, para se aproveitar totalmente os ganhos, as inovações não devem estar focadas no corpo, e sim na mente.

O norte-americano Matt Fizgerald, uma das maiores autoridades em esportes de resistência nos EUA, concorda. Seu livro mais recente, How Bad Do You Want It? — Mastering the psychology of mind over muscle (Quanto você quer? Dominando a psicologia da mente sobe o músculo; em tradução livre) explora a ciência emergente das bases psicológicas de uma boa performance.

“A percepção do esforço – ou o quão difícil você acha um exercício em determinado momento – é o verdadeiro limitador da performance. Atletas endurance podem aumentar suas performancse de dois jeitos: elevando o nível máximo da percepção do esforço que podem tolerar, ou diminuindo a sensação de esforço percebida em qualquer intensidade de exercício. Não há outro jeito de ficar mais em forma ou ser mais rápido”, diz o autor.

A seguir, confira as principais descobertas de Matt sobre atletas que melhoraram suas performances através do condicionamento da mente:

1. Ter a expectativa de se sentir péssimo em uma prova ajuda na performance. Isso é porque a percepção de esforço durante uma competição é influenciada pela expectativa. Se você se sente pior do que o esperado, sua percepção de esforço vai aumentar e sua performance vai sofrer. Preparando-se para um verdadeiro perrengue, no entanto, você garante que o jeito que você vai se sentir durante a prova não é pior do que o esperado, o que te “programa” para conseguir extrair o máximo possível do seu corpo.

2. Ter o “corpo errado” para um esporte de resistência – isto é, ter um corpo que não é ideal antropometricamente ou fisiologicamente – pode passar de desvantagem a vantagem através de um fenômeno chamado neuroplasticidade. Mesmo se o seu corpo não for considerado do melhor tipo para um determinado esporte, seu cérebro age criativamente e encontra o melhor jeito de ir do ponto A para o ponto B, se você treiná-lo para isso. O mesmo fenômeno explica por que atletas podem voltar à atividade melhores do que nunca após uma lesão que modifica o corpo.

3. Derrotas em provas disputadas com favoritismo são causadas por inseguranças e excesso de foco em si mesmo, o que aumenta a sensação de esforço. Atletas podem evitar este tipo de situação libertando-se da obsessão em atingir um objetivo. Ao invés de focar as atenções em um resultado específico (como um lugar no pódio ou um tempo determinado) ou “não perder”, o atleta deve tentar estar totalmente imerso no momento e na ação imediata.

4. Atletas de endurance têm um desempenho melhor quando vão atrás de um objetivo quantificável, ao invés de correr apenas “pelo sentimento”. Isso acontece porque a percepção do esforço que os atletas usam para julgar a velocidade mais rápida com que conseguem ir de onde estão até a linha de chegada, está aberta à interpretação. Buscar melhorias graduais em seu tempo pessoal (por exemplo: tentar ser 2 segundos mais rápido por quilômetro) ajuda atletas a se sentirem mais certos e confiantes de que podem atingir seus objetivos, o que, por sua vez, os ajuda a aceitar níveis de esforço mais altos.

5. Atletas entram em forma mais rapidamente e têm mais sucesso em provas quando treinam em grupo e competem representando uma equipe. Uma das razões para isso é chamada de “sincronia de comportamento”, onde o trabalho em grupo libera dopamina para o cérebro – um composto químico neurológico que nos faz sentir bem e reduz a percepção de esforço.