Muita areia,estrada, calor e céu azul no rolê de bike pelo litoral norte baiano

Texto e fotos por Paulo de Tarso

Chamada de Costa dos Coqueiros pelos mais de 200 quilômetros de uma rota de coqueiros que se estende paralela ao mar, a região foi escolhida a dedo para trilharmos de bike. Águas cristalinas do mar, dos rios e das cachoeiras, flora e fauna riquíssimas, gastronomia e artesanatos peculiares são os presentes que o local te traz pelo caminho.

A ideia é sair da Praia do Forte e chegar a Mangue Seco, mas você pode fazer apenas um trecho do caminho, se preferir. Parte do trajeto é feita pela Linha Verde, a rodovia que liga Salvador à divisa de Sergipe, mas a rota passa pela praia e estradinhas de terra. Fique esperto nos horários das altas de maré, e boa viagem.

1º dia – Praia do Forte a Porto do Sauípe (45 km de pedal)

Na hora de partir para a trilha, pegue a Linha Verde, sentido Porto do Sauípe. O trajeto é tranquilo, todo pelo asfalto, com acostamento em excelente estado e pouco tráfego de veículos. Uma referência do caminho é o trevo no quilômetro 10, de onde seguimos para conhecer Imbassaí. Ela é uma praia cheia de dunas, onde o rio de mesmo nome encontra-se com o mar. Voltamos para a Linha Verde, com subidas e descidas suaves se alternando. Finalizamos o primeiro dia em Porto do Sauípe.

2º dia – Porto do Sauípe a Subaúma (35 km de pedal)

Comece pela Linha Verde. Após 10 quilômetros de pedal, informe-se numa pastelaria sobre a estradinha de terra (8 km) que vai a Massaradupió. O caminho é gostoso, entre dunas cristalinas e uma vegetação selvagem. Parte da praia desse vilarejo é reservado ao naturismo (800m) e o resto (1.200 m), para quem quer curtir a praia com roupa. Na maré baixa, pedala-se de lá, pela praia até Subaúma. Se a maré subir, opte pela Linha Verde.

3º dia – Subaúma a Baixio (18 km de pedal)

A partir de Subaúma, todo o trajeto é feito à beira-mar. De lá atravessamos um rio, perto do mar, para pedalar na praia, com um vento agradável, mas contra. Praticamente durante todo o ano o vento na região é nordeste. Quando o vento é sul, ou “a favor”, é sinal de tempo ruim. Chegamos pela praia a Baixio, um pequeno e tranqüilo povoado do município de Esplanada, parte integrante da área de proteção ambiental do litoral Norte da Bahia.

O mar é aberto e excelente para o surf. Uma das pessoas mais conhecidas é o Nino, ele é um dos capitães de areia da ONG Global Garbage. Seu trabalho é recolher o lixo internacional que vem do mar e devolver para o país de origem. No fim da tarde, quando o sol estiver mais fraco, vale dar um role de bike até a Lagoa Azul, um dos lugares mais bonitos da região.

4º dia – Baixio a Sítio do Conde (32 km de pedal)

O primeiro trecho do dia segue pela praia até a foz do Rio Itariri, na margem desabitada. Um belo manguezal acompanha o rio até a foz. Com ajuda dos locais, atravessamos o rio pelo melhor local para chegar à simpática vila. Aproveite para dar um tempo na praia de águas rasas e tranquilas e tomar banhos de água doce e salgada de frente para as “Dunas de Tieta” (algumas cenas do filme “Tieta” foram rodadas ali). De lá, a 16 km de dunas fica o Sítio do Conde. Para não ter que seguir pela estrada de terra e areia paralela à praia, tente chegar nesta parte na hora da maré baixa. Antigo vilarejo de pescadores, com praias belíssimas, dunas, coqueirais, lagoas, cachoeiras e manguezais, o Sítio do Conde é um verdadeiro oásis.

5º dia – Sítio do Conde – Poças – Siribinha – Mangue Seco (55 km de pedal)

O último dia de pedal é o mais longo e uma guerra contra o relógio, já que quase todo percurso tem que ser pela praia, com pouco mais de 4 horas de maré baixa. O primeiro trecho segue por uma bela estrada de terra ao lado da praia, entre dunas e coqueirais. Em pouco mais de 6 km chega-se a Poças, outro pequeno vilarejo, que ganhou esse nome por conta das inúmeras piscinas que se formam em sua praia. A partir dali siga 7 km pela extensa e calma praia até Siribinha, um simpático vilarejo de apenas uma rua de areia com uma capelinha (Bom Jesus dos Navegantes), que dá um ar bucólico à paisagem. Atrás da vila passa o rio Itapicuru, que faz divisa entre as dunas brancas e o manguezal, e que deve ser atravessado de barco. Do outro lado, mais 40 km de pedal pela praia.

Depois dos primeiros 14 quilômetros, chega-se ao povoado de Costa Azul, bom local para uma pausa. De lá, chega-se enfim a Mangue Seco, na divisa com Sergipe, de frente ao Rio Real. São dunas douradas que chegam a 20 metros de altura, coqueirais, rios e quilômetros de praias desertas. Para chegar de bicicleta ao vilarejo e finalizar a rota, há um desafio final: pedalar 2 km em meio às dunas e ao mangue seco. Para terminar o dia, assista ao pôr do sol no rio Real.

Dicas importantes para encarar de bike a Costa dos Coqueiros

• Para pedalar na praia é importante seguir a Tábua de Marés para saber onde e quando rola maré baixa.

• Na praia ou areia fofa o pneu ideal é o semi-slick. Se por acaso estiver derrapando muito, esvazie um pouco os pneus.

• O protetor solar é obrigatório nessa rota.

• A temperatura média anual é de 25 a 27 graus, portanto é possível fazer esta pedalada durante todo o ano.

• Durante todo o trajeto há opções de hospedagens e restaurantes.

• Fique atento: Na maioria dos vilarejos é necessário atravessar rios. Combine antes o valor da travessia.

• Para sair de Mangue Seco tome um barco até o povoado de Pontal, do outro lado do Rio Real. A maioria dos turistas deixa o carro ali. Para Aracaju ou Salvador é necessário seguir 12 quilômetros por uma estradinha de terra em boas condições. Pelo asfalto da Linha Verde, Aracaju fica a 109 km (82 deles pela Br 101) e Salvador a 223 km.

A Sampa Bikers realiza esta viagem anualmente na última semana de Novembro. Informações no site 

(Reportagem publicada originalmente na Go Outside de fevereiro de 2007 e atualizada em março de 2019)