Power fruta

A fruta milenar do Pacífico Sul, noni, tem sido cada vez mais consumida por esportistas

FRUTA DOS DEUSES: Energética, revigorante, cicatrizante, analgésica…

Por Viviane Paladino
Foto por Forest e Kim Starr

A cada 1,8 segundos, alguém no mundo compra uma garrafa do suco Tahitian Noni, diz a mensagem do site dos distribuidores da marca pioneira na comercialização do produto. A empresa Tahitian Noni International existe desde 1996 e há dois anos e meio trouxe o suco de noni para o Brasil. Desde então, cada vez mais os esportistas brasileiros tem relatado casos de impressionante melhora de disposição e desempenho após algum tempo ingerindo doses diárias da bebida.

“Se você toma o noni antes de surfar, em jejum, parece que ele entra pedindo licença e te dá um vigor diferente”, afirma o big rider potiguar Aldemir Calunga, 28 anos, que foi campeão brasileiro amador em 1990 e hoje passa grande parte do ano surfando ondas grandes no Havaí. Calunga afirma que já usou o noni também como cicatrizante e anti-inflamatório. O jogador Leandro Binotto, do time Paulistano de basquete, começou a tomar o suco há dois meses e sentiu melhora na recuperação do cansaço físico. “Faço quatro horas diárias de treino, fora os jogos e play-offs. O noni dá um gás a mais e acelera a minha recuperação entre um jogo e outro, como se fosse um energético”, afirma o atleta de 27 anos.

Talvez pela origem polinésia da fruta, praticantes de esportes típicos da região, como as canoas havaianas, têm também reunido consumidores de noni. “A primeira diferença que senti foi a disposição, que veio junto com um equilíbrio do corpo. É difícil explicar, mas o conjunto fica melhor e a sensação é muito boa”, afirmou o professor de canoas havaianas Arnaldo Zanatta Jr., que usa o noni há seis meses.

Apesar da infinidade de propriedades destacadas em rótulos, folhetos e sites que vendem o produto, o suco de noni não é medicamento. No Brasil, as empresas que comercializam o produto – entre elas a Tahitian Noni, a Pure Essence e a Santa Natura – preferem chamá-lo de suplemento alimentar, ou alimento natural saudável. Em 2004, a Anvisa proibiu a veiculação de qualquer material de divulgação que atribuísse propriedades terapêuticas ao produto, alegando propaganda enganosa. “Eles atribuem características de medicamento ao suco, e para que isso fosse permitido eles teriam de registrar o produto como remédio”, justificou o assessor de imprensa do órgão.

No entanto, alguns médicos são fiéis defensores de seu consumo. Um dos mais famosos é o consultor nutricional norte-americano Neil Solomon, que tem mais de 10 livros lançados sobre o noni e seus benefícios, um deles intitulado The Noni Phenomenon. Solomon, que foi comentarista médico da rede CNN, trabalha como consultor nutricional para a ONU e a Organização Mundial de Saúde, estuda os efeitos do fruto há dez anos e é considerado uma autoridade mundial no assunto. O médico defende o uso da fruta em tratamentos contra o câncer, diabetes, hipertensão arterial e dores crônicas, além de indicar a ingestão do suco junto com tratamentos medicinais a fim de aumentar a eficácia ou absorção dos medicamentos.

Apesar dos efeitos curativos relatados em pesquisas do próprio Dr. Solomon e de outros médicos, as pessoas que procuram o noni normalmente estão em busca de prevenção e de melhor a qualidade de vida. “Tenho hérnia de disco e surfo praticamente todo dia. Com o noni minhas dores diminuíram, meu humor melhorou e estou mais disposto, com mais ânimo pra trabalhar”, relata o fotógrafo da revista Fluir e surfista Sebastian Rojas, 45 anos. “No surf, senti melhorar principalmente a remada e o fôlego. Tenho agüentado mais tempo remando forte e isso se traduz em mais ondas surfadas por sessão”, completa.

Energético, revigorante, cicatrizante, analgésico e fortalecedor do sistema imunológico. Bebida dos deuses? Quase isso, se não fosse o gosto e o cheiro nada agradáveis, e um preço pra lá de salgado. O suco de noni tem gosto forte e ruim, por isso, sua composição – além da fruta propriamente dita, a bebida leva suco de uva concentrado e, em alguns casos, açaí. “Não há nenhum componente químico como conservantes, corante, adoçante, ou qualquer adicional do tipo”, afirma Gilberto Guitti, diretor geral da Tahitian Noni International-Brasil, que vende cerca de 40 mil garrafas/mês, somente no Brasil. O suco é responsável por 90% da receita total da empresa americana que, em 2005, foi de três bilhões de dólares.

FRUTA SALGADA

O preço da garrafa de noni no Brasil varia de R$ 120 a R$ 160 por litro. Para adquirir uma, você deve procurar a empresa por telefone ou internet – a maioria das distribuidoras atua pelo sistema de venda direta.

Tahitian Noni International – (11) 2123 3777 ou 0800 7015694

www.tahitiannoni.com.br

Santa Natura: 11 3115 2677

www.santanatura.com.br

Nature’s Sunshine: 11 5633 3303 ou 0800 123043

www.nsp.com.br

Pure Essence: 0800 6430053

www.pureessence.com.br

(Reportagem publicada originalmente na Go Outside de maio de 2006)