Brasil: de vento em popa

A vela é uma das grandes esperanças de medalhas para o país nos Jogos Panamericanos


CHEIO DE GLÓRIA: Se os ventos ajudarem, o Brasil deve se sair bem nas competições na Marina da Glória, no Rio

Por Cassio Waki

A vela é um dos esportes que mais trouxeram medalhas para o Brasil em Jogos Panamericanos. Desde sua primeira edição em 1951, em Buenos Aires, até os Jogos de Santo Domingo, em 2003, foram 55 medalhas, sendo 24 de ouro, 19 de prata e 12 de bronze. O recordista é o experiente Cláudio Biekarck com cinco medalhas (duas de ouro, duas de prata e uma de bronze), um dos destaques da seletiva que acontecerá em fevereiro de 2007. O mesmo local que receberá a vela nos Jogos, a Marina da Glória, no Rio, promoveu dois eventos pré-Pan, um em fevereiro e outro em outubro, que contou com cerca de 350 atletas. O objetivo foi testar a estrutura necessária para receber a competição entre os dias 22 e 28 de julho do próximo ano. “Conseguimos avaliar o que ainda precisamos melhorar para que não falte nada nos dias de competição”, disse Nina Castro, uma das organizadoras do evento.

Vagas

Ao todo 140 atletas representarão o Brasil em nove categorias: hobie cat 16, J24, laser standard, laser radial, lightning, windsurf masculino e feminino e snipe. Algumas categorias já são consideradas presas fáceis para atletas já consagrados no cenário mundial, como Robert Scheidt na laser standard, Maurício Santa Cruz na J24, Ricarddo “Bimba” Winick no windsurf, entre outros.

Disputa acirrada

A categoria lightning pode trazer uma das disputas mais acirradas da seletiva de fevereiro. O experiente Mário Buckup, que em duas participações em panamericanos ganhou duas medalhas de ouro, vem conquistando bons resultados com sua equipe e família, Telma e Marc, esposa e filho. Eles venceram o primeiro pré-pan, o que rendeu uma vaga para um dos mais difíceis campeonatos de lightning do mundo, a Copa Norte-Americana. “Conseguimos um bom resultado chegando em 18º na geral, entre 70 competidores. A briga pela vaga vai ser quente”, conta Mario. Um dos grandes adversários é um jovem trio formado por Thomas Sumner, 19 anos, Felipe Brito, 19 anos, e Gustavo Harada, 23 anos, que ainda não tiveram o gosto de participar de um Pan, mas estão em ascensão. Thomas e Felipe são os atuais bicampeões da lightning sub-20 e conseguiram um importante terceiro lugar no Sulamericano do Equador deste ano. Também pesa a favor deles o fato de serem o melhor barco brasileiro no Mundial do Chile, disputado no fim de 2005. “Vamos correr por fora, pois sabemos que é muito difícil. Estamos nos esforçando bastante”, conta Thomaz, que treina cinco horas diárias na água com os companheiros, sem contar a parte física, com corrida e fortalecimento muscular.

Lenha na fogueira

Só para a disputa ficar ainda mais quente, o Campeonato Brasileiro de Lightning acontecerá pouco antes da seletiva para o Pan. A Federação Brasileira ainda não definiu se o local da competição será na Represa de Guarapiranga, em São Paulo, ou na Marina da Glória, no Rio.

Novo comandante

No início de novembro, Lars Grael, medalhista olímpico em 1988 e 1996, foi eleito por aclamação presidente da Federação Brasileira de Vela e Motor e iniciará seus trabalhos no próximo ano. “O Pan servirá para promover a vela no Brasil. Além disso, teremos a missão de classificar a equipe olímpica no Mundial da International Sailing Federation (Isaf), em Portugal, e em 2008 nada menos a Olimpíada de Pequim”, diz Grael. Mais informações sobre a vela nos sites www.fbvm.org.br, www.boia1.com.br e www.sailing.org.

Estiloso

O casaco MPX Gore-Tex Coastal, da Musto, é uma boa pedida não só para sair velejando mar afora como para se proteger do vento e da chuva no dia-a-dia. Possui tecido de fleece na parte interna para aquecer o corpo e, na externa, tecido tratado com a tecnologia Gore-tex, que o deixa totalmente à prova d’água. Preço sugerido: R$ 2293. Mais informações no site www.regatta.com.br.

(Reportagem publicada originalmente na Go Outside de dezembro de 2006)