Para os atletas, o voo de volta para casa é um perigo que vem sendo ignorado

Por Nick Heil
Foto por Dennis Galante

No ano passado, voltei de uma escalada no monte Kilimanjaro, na África, para receber notícias perturbadoras. Uma de minhas colegas, uma mulher de 43 anos do País de Gales em ótima condição física, saiu do voo de oito horas de volta para casa com uma perna inchada. Um coágulo sanguíneo se formou em um das veias de sua perna – uma condição conhecida como trombose venosa profunda (TVP). Dois dias depois de sua chegada, o coágulo de descolou e viajou até seus pulmões, onde se tornou uma embolia pulmonar potencialmente fatal. Ela se recuperou, mas só depois de três semanas de luta na UTI.

Eu já tinha ouvido falar de TVP afetando passageiros de avião, mas sempre tinha associado o problema com idosos e mulheres grávidas. Levei um susto ao descobrir que adultos saudáveis, particularmente atletas em voos longos, são igualmente – ou até mais – vulneráveis. Segundo um relatório de 2007 da Organização Mundial de Saúde (OMS), acredita-se que a TVP afete um em cada seis mil passageiros em voos mais longos que quatro horas. Embora alguns dos principais fatores de risco sejam obesidade, ser muito alto (ou muito baixo) e o uso de contraceptivos orais, o risco para atletas é aumentado consideravelmente pelo seu fluxo sanguíneo mais lento (resultado de veias maiores). “As pessoas costumam achar que os atletas são imunes porque eles em geral têm uma boa saúde”, explica o doutor Richard Chang, radiologista e pesquisador de TVP no National Institutes of Health. “Mas atletas podem na verdade sofrer um risco maior, devido ao fato de seu fluxo sanguíneo mais lento ser um melhor condutor de coágulos”, emenda ele.

A TVP é causada por uma combinação de três fatores associados a viagens aéreas: circulação prejudicada pelos assentos apertados, desidratação causada pelo ar reciclado seco e a pressão barométrica relativamente baixa da cabine. E, segundo a OMS, o risco dobra quando se fica sentado e imóvel por mais de quatro horas. Atletas que acabaram de participar de um grande evento (uma escalada de montanha ou uma maratona, por exemplo) aumentam esses fatores de risco se sofreram algum trauma (estiramentos, escoriações ou simplesmente um desgaste acima do normal) e logo em seguida embarcaram em um avião.

Essa é a má notícia. A boa notícia é que seguir algumas precauções bem óbvias reduzem bastante o risco. Em vez de se apertar em um assento de janela e se entupir de remédios para dormir e algumas taças de vinho, reserve um assento do corredor e se levante para esticar as pernas a cada duas ou três horas, mesmo de noite (e já que está fazendo isso, aproveite para cronometrar seus intervalos de sono para começar a combater os efeitos do fuso-horário). Se possível, faça alguns agachamentos nos fundos do avião para fazer o sangue nas suas pernas fluir melhor.

E, quanto à hidratação, dá para fazer melhor que beber água pura e simples. Um estudo de 2002 publicado no Periódico da Associação Americana de Medicina descobriu que bebidas com eletrólitos como o sódio e o potássio funcionavam melhor para prevenir coágulos que a água. E, por último, invista em um par de meias de compressão, como a Aptnoia (R$ 44,99 na Decathlon), que melhoram a circulação na parte inferior das pernas no avião e ajudam a melhorar sua eficiência aeróbica durante o treinamento.

Os pesquisadores não têm certeza absoluta sobre que combinação de fatores acaba causando esses perigosos coágulos, mas ninguém quer acabar sendo o azarado em cada seis mil pessoas. Use as dicas acima e você não vai só aumentar as chances a seu favor, mas também vai chegar a seu destino melhor hidratado, menos dolorido e duro, e mais preparado para seu próximo desafio.

POUSO SUAVE

Vôo longo? Siga esses passos no ar para estar na sua melhor forma quando pousar

Por Stayton Bonner

1. Tome uma pílula: ingira 2 miligramas de melatonina quando forem 10 horas da noite na sua cidade de destino. Esse hormônio que ajuda a dormir vai começar a ajustar seu relógio biológico mesmo antes de você pôr os pés em terra.

2. Beba bastante: o nível de umidade na cabine é cerca de 10% mais seco que o ar do deserto no verão. Beba bastante fluido, cerca de meio litro por hora.

3. Leve sua própria comida: refeições de avião são pura porcaria, por isso traga a sua própria: “Leve pacotes de cereal de 50 gramas, sanduíches com pão integral e pacotes de nozes ou castanhas de 30 gramas”, diz o especialista em nutrição da DietDetective.com, Charles Platkin.

(Reportagem publicada originalmente na Go Outside de agosto de 2010)